A interrupção dos
ganhos reais das aposentadorias e dos benefícios sociais pode deixar a renda
agregada dos municípios do interior do Rio Grande do Norte até 18% abaixo do
cenário de valorização dos pagamentos nos próximos três anos. A estimativa é de
estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da
Universidade de São Paulo (USP), que aponta o estado potiguar entre os mais
vulneráveis do país à estagnação das transferências públicas.
O levantamento
destaca a importância das aposentadorias, do Benefício de Prestação Continuada
(BPC) e do Bolsa Família para a economia dos municípios fora das regiões
metropolitanas. Em muitas dessas cidades, os recursos garantem o sustento de
milhares de famílias e movimentam supermercados, farmácias, mercadinhos, feiras
e pequenos prestadores de serviços, fortalecendo o comércio local e ajudando a
manter empregos.
Segundo as
simulações, a ausência de reajustes acima da inflação pode provocar uma
diferença de 17% a 18% na renda agregada do interior potiguar em comparação com
um cenário de manutenção dos ganhos reais. É importante esclarecer que essa
projeção não significa uma queda já confirmada na economia, mas uma estimativa
dos possíveis efeitos da perda de poder de compra das famílias beneficiárias.
Os reflexos podem
ultrapassar o orçamento doméstico e atingir diretamente a atividade econômica e
a arrecadação dos municípios. Com menos dinheiro circulando, o comércio pode
vender menos, reduzir contratações e adiar investimentos. Em cidades onde aposentados,
pensionistas e beneficiários de programas sociais sustentam boa parte do
consumo, a redução desses recursos representa um risco para pequenos negócios e
trabalhadores.
O estudo também
alerta para o agravamento da pobreza caso os benefícios deixem de registrar
ganhos reais. Em nível nacional, a simulação indica que aproximadamente 2,7
milhões de pessoas a mais poderiam estar em situação de pobreza nos municípios
fora das regiões metropolitanas, incluindo cerca de 2,4 milhões em extrema
pobreza. Para o Rio Grande do Norte, a pesquisa evidencia uma exposição
proporcional elevada, embora os dados apresentados não permitam calcular
quantas pessoas seriam diretamente afetadas no estado. O alerta reforça a
importância da política de valorização dos benefícios para a proteção social e
a sustentação da economia do interior.
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