terça-feira, 20 de outubro de 2026

Interior do RN pode perder até 18% da renda com estagnação de aposentadorias e benefícios sociais

 


A interrupção dos ganhos reais das aposentadorias e dos benefícios sociais pode deixar a renda agregada dos municípios do interior do Rio Grande do Norte até 18% abaixo do cenário de valorização dos pagamentos nos próximos três anos. A estimativa é de estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), que aponta o estado potiguar entre os mais vulneráveis do país à estagnação das transferências públicas.

O levantamento destaca a importância das aposentadorias, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e do Bolsa Família para a economia dos municípios fora das regiões metropolitanas. Em muitas dessas cidades, os recursos garantem o sustento de milhares de famílias e movimentam supermercados, farmácias, mercadinhos, feiras e pequenos prestadores de serviços, fortalecendo o comércio local e ajudando a manter empregos.

Segundo as simulações, a ausência de reajustes acima da inflação pode provocar uma diferença de 17% a 18% na renda agregada do interior potiguar em comparação com um cenário de manutenção dos ganhos reais. É importante esclarecer que essa projeção não significa uma queda já confirmada na economia, mas uma estimativa dos possíveis efeitos da perda de poder de compra das famílias beneficiárias.

Os reflexos podem ultrapassar o orçamento doméstico e atingir diretamente a atividade econômica e a arrecadação dos municípios. Com menos dinheiro circulando, o comércio pode vender menos, reduzir contratações e adiar investimentos. Em cidades onde aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais sustentam boa parte do consumo, a redução desses recursos representa um risco para pequenos negócios e trabalhadores.

O estudo também alerta para o agravamento da pobreza caso os benefícios deixem de registrar ganhos reais. Em nível nacional, a simulação indica que aproximadamente 2,7 milhões de pessoas a mais poderiam estar em situação de pobreza nos municípios fora das regiões metropolitanas, incluindo cerca de 2,4 milhões em extrema pobreza. Para o Rio Grande do Norte, a pesquisa evidencia uma exposição proporcional elevada, embora os dados apresentados não permitam calcular quantas pessoas seriam diretamente afetadas no estado. O alerta reforça a importância da política de valorização dos benefícios para a proteção social e a sustentação da economia do interior.