O
resultado das urnas no Rio Grande do Norte chama atenção não apenas pela
pequena diferença entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula, mas também pelo
contraste entre o cenário que vinha sendo desenhado ao longo da pré-campanha e
a nova realidade produzida pelo voto.
Allyson
chegou às urnas depois de uma campanha marcada pela forte presença em
diferentes regiões do Estado e por uma intensa busca de votos. Mas, abertas as
urnas, o resultado mostrou uma disputa muito mais equilibrada do que algumas
leituras anteriores poderiam sugerir.
Allyson
terminou o primeiro turno com 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu de Lula
alcançou 36,16% — uma diferença de apenas 0,78 ponto percentual. Álvaro Dias
ficou em terceiro, com 26,71%.
Outro
dado que merece atenção: Cadu foi o candidato mais votado em 73 dos 167
municípios potiguares. Allyson venceu em 65 cidades, enquanto Álvaro Dias
terminou à frente em 29 municípios.
E é
justamente aí que começa uma nova fase da eleição
O
que antes poderia parecer improvável — a aproximação de lideranças que estavam
no campo político de Álvaro Dias com o grupo liderado por Cadu de Lula — passou
a fazer parte das conversas políticas do segundo turno.
Não
significa, necessariamente, que todos aqueles que apoiaram Álvaro migrarão para
Cadu. Mas é fato que o segundo turno abre uma nova rodada de negociações,
conversas e reposicionamentos políticos.
A
pergunta que começa a circular nos bastidores é simples: para onde irão os
votos e, principalmente, as estruturas políticas que estavam no campo de Álvaro
Dias?
São
prefeitos, vereadores, deputados e lideranças regionais que agora precisam
decidir se permanecem neutros, se acompanham Allyson ou se estabelecem algum
tipo de entendimento com Cadu de Lula.
Ezequiel
Ferreira no centro das conversas
Um
dos nomes que aparece com frequência nesse cenário é o presidente da Assembleia
Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira.
Antes
do primeiro turno, Ezequiel e o PSDB haviam declarado apoio à candidatura de
Álvaro Dias, movimento que levou novas lideranças ao grupo.
Agora,
com Álvaro fora da disputa, o futuro desse grupo passou a ser observado com
atenção.
A
imprensa política potiguar já vinha tratando o grupo de Ezequiel como peça
importante na disputa estadual. Cadu Xavier, inclusive, havia afirmado
anteriormente que ainda mantinha conversas com o PSDB e que gostaria de contar
com os tucanos em seu projeto.
Por
isso, qualquer movimentação de Ezequiel ou de outras lideranças que estavam com
Álvaro poderá produzir novos rearranjos no mapa político do Estado.
O
segundo turno começa com uma nova configuração
A
eleição, portanto, entra em uma fase completamente diferente.
De
um lado, Allyson tenta transformar a vantagem de aproximadamente 15,5 mil votos
obtida no primeiro turno em uma base suficiente para o segundo. Do outro, Cadu
busca ampliar seu campo político e incorporar novas lideranças e eleitores que
estavam fora de sua aliança no primeiro turno.
O
que está em jogo agora não é apenas a transferência automática dos votos de
Álvaro Dias.
É a
capacidade de cada grupo de construir novos entendimentos políticos para o
segundo turno.
E,
nesse novo tabuleiro, prefeitos, deputados, vereadores e lideranças que até
domingo estavam em outros palanques passaram a ser procurados pelos dois lados.
O
primeiro turno terminou. A eleição, porém, está longe de terminar.
Agora
começa uma nova disputa: a disputa pelos apoios, pelos palanques e pelos votos
que ficaram pelo caminho.