 |
| Chuva deixa várias ruas e algumas casas alagadas em Macau |
As fortes chuvas que atingem diversos
municípios do Rio Grande do Norte têm provocado transtornos em várias regiões
do estado. Ruas alagadas, famílias ilhadas, dificuldade de mobilidade e
preocupação tomam conta de cidades inteiras. E diferente do que muitos tentam
repassar por pura birra política ou insatisfação eleitoral, boa parte desse
sofrimento não nasce da ausência de gestão, mas sim da força da natureza que
despeja, em poucas horas, um volume de água muito acima do suportável.
Os perrengues acontecem em todos os
recantos do RN.
Mas quando o assunto é Macau, na boca
de alguns já existe um culpado escolhido antes mesmo da água baixar: a gestão
municipal.
O problema é que muitos preferem
ignorar a realidade geográfica da cidade apenas para alimentar narrativas
políticas. Macau possui altitude média muito baixa, ficando cerca de 3 metros
acima do nível do mar. Por ser uma cidade costeira localizada em área de
estuário, naturalmente apresenta maior vulnerabilidade a alagamentos,
principalmente em períodos de maré cheia associados a fortes chuvas.
E isso não é discurso político. É
estudo técnico.
 |
| Macau sem chuvas |
Uma pesquisa desenvolvida pela
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Programa de
Pós-graduação em Geodinâmica e Geofísica (PPGG/UFRN), já alertava sobre os
riscos de inundação por maré em toda a região de influência do Estuário Piranhas-Açu,
incluindo Macau. O estudo aponta que áreas tratadas hoje como expansão urbana
convivem com alto risco de alagamentos(como você pode ver na imagem acima).
Ou seja, Mesmo sem chuvas extremas,
Macau já vive momentos de preocupação devido à sua própria condição geográfica.
Isso significa que o poder público não
deve ser cobrado? Claro que não.
Gestão pública existe justamente para
minimizar impactos, buscar prevenção e oferecer respostas rápidas à população.
Mas querer transformar um fenômeno climático intenso em arma política
automática, ignorando fatores históricos, geográficos e ambientais, é
desonestidade intelectual.
O mais preocupante nisso tudo talvez
nem seja a crítica política, que faz parte da democracia, mas a forma como
alguns escolhem agir diante do sofrimento do próximo. Em vez de solidariedade,
aparecem vídeos carregados de ironia, deboche e chacota nas redes sociais.
Gente transformando o drama de famílias alagadas em oportunidade para “lacrar”
contra adversários políticos.
E aí acontece a inversão de valores.
Enquanto moradores tentam salvar
móveis, proteger suas casas e enfrentar o medo causado pela água invadindo suas
residências, outros preferem rir, provocar e alimentar disputas políticas em
cima da dor alheia .
No final das contas
A água não pergunta em quem cada
cidadão votou. O transtorno chega para todos.
Macau precisa, neste momento, menos de
guerra política virtual e mais de empatia, responsabilidade e união. Porque
acima de qualquer disputa eleitoral, existe uma população que sofre e precisa
ser respeitada.
Imagens: Macau em Fotos**