Existe um ditado popular bastante
conhecido que diz: “o que é combinado não sai caro”.
A expressão costuma ser utilizada para
lembrar que, quando regras, condições, acordos e compromissos são estabelecidos
e aceitos previamente por todos os envolvidos, diminuem-se as chances de
mal-entendidos, cobranças e conflitos no futuro.
Pois bem
Nos bastidores da política potiguar,
começa a ganhar espaço uma narrativa de suposta insatisfação entre integrantes
do grupo político liderado pelo candidato ao Governo do RN, Allyson Bezerra,
diante da concentração de esforços políticos e eleitorais em torno da
candidatura de sua esposa, Cinthia Pinheiro, que disputa uma vaga na
Assembleia Legislativa.
Segundo relatos que circulam nos
bastidores e também vêm sendo repercutidos por parte da imprensa potiguar,
alguns candidatos a deputado estadual e federal que integram o grupo estariam
demonstrando insatisfação com a distribuição de apoio e estrutura durante a
campanha.
Há, inclusive
Relatos de que alguns desses
candidatos estariam sinalizando a possibilidade de reduzir ou até deixar de
pedir votos para Allyson durante a campanha, caso não haja uma mudança na
divisão dos espaços e da estrutura política entre os integrantes do grupo.
Mas existe um detalhe importante nessa
história.
Cinthia Pinheiro não surgiu agora no
cenário eleitoral. Sua candidatura a deputada estadual foi oficialmente lançada
na mesma convenção partidária que homologou a candidatura de Allyson Bezerra ao
Governo do Rio Grande do Norte.
Ou seja: a candidatura estava colocada
publicamente.
E é justamente aí que surge a pergunta
que merece ser feita:
Se havia um acordo político, uma
composição ou uma estratégia previamente estabelecida, por que a insatisfação
estaria aparecendo somente agora?
Por que não houve questionamentos no
momento em que as candidaturas foram anunciadas?
Por que não se discutiu a divisão de
apoio, estrutura e espaços políticos antes do início da campanha?
Na política, obviamente, acordos podem
ser revistos. Estratégias podem mudar. E ninguém está obrigado a permanecer em
uma composição se entender que seus interesses políticos foram contrariados.
Mas também é preciso reconhecer que combinados
políticos costumam produzir consequências quando são feitos — e também quando
são rompidos.
A questão, portanto, não é
simplesmente saber quem está certo ou errado.
O ponto central é entender o que
foi efetivamente combinado entre os integrantes do grupo e em que momento essas
condições foram estabelecidas.
Porque, se todos conheciam previamente
as regras do jogo, a chiadeira tardia pode revelar muito mais sobre as
expectativas individuais de cada candidato do que propriamente sobre uma
novidade na estratégia de Allyson.
E aí cabe outro velho ditado popular:
“Agora Inês é morta.”
Na política, quando uma decisão já foi
tomada, uma candidatura já foi lançada e uma estratégia eleitoral já está em
andamento, tentar rediscutir o combinado pode ser muito mais difícil.
No final das contas, a pergunta que
fica é simples:
O problema está no que foi combinado
ou naquilo que alguns esperavam receber depois que o jogo começou?
A resposta, aparentemente, está nos
bastidores — e somente os protagonistas dessa composição sabem exatamente o que
foi acertado antes de a campanha começar.
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