A disputa pelas duas cadeiras do Rio
Grande do Norte no Senado começa a apresentar um cenário cada vez mais aberto —
e a pesquisa Difusora/ITEM, realizada entre os dias 10 e 14 de agosto, coloca o
ex-deputado federal Rafael Motta (PDT) no centro dessa briga.
Somando os dois votos destinados ao
Senado, Rafael chega a 32,8%, resultado que o coloca apenas 1,4 ponto
percentual atrás da senadora Zenaide Maia (PSD), com 34,2%. O senador
Styvenson Valentim (PODE) aparece na liderança, com 38%.
O dado mais relevante para Rafael,
entretanto, não está apenas na soma. Ele aparece com 17,8% no primeiro voto
e 15% no segundo, apresentando uma distribuição bastante equilibrada entre
as duas escolhas do eleitor.
Na prática, os números colocam Rafael
em uma posição competitiva pela segunda vaga. Considerando a margem de erro de 2,77
pontos percentuais, a diferença de 1,4 ponto para Zenaide está dentro do
intervalo de oscilação da pesquisa. Portanto, não há segurança estatística para
afirmar que a senadora esteja isoladamente à frente do pedetista.
O ponto que merece atenção
Mais do que uma eventual comemoração
antecipada, o levantamento revela um elemento que pode alterar a fotografia da
disputa: o eleitorado ainda não está completamente definido.
No primeiro voto, 13% dos
entrevistados não souberam ou não responderam. No segundo, o índice chega a
12,6%.
É justamente nesse espaço que a
campanha tende a concentrar boa parte da disputa nas próximas semanas.
Rafael também aparece com 8,4% de
rejeição, percentual que, segundo os dados divulgados, é inferior ao seu
índice de intenção de voto. Isso significa que existe espaço para ampliar sua
presença entre eleitores que ainda não decidiram definitivamente o voto —
embora baixa rejeição, por si só, não garanta crescimento eleitoral.
Crescimento ou fotografia?
Aqui está o ponto que merece ser
observado com cautela.
A pesquisa mostra força eleitoral
de Rafael Motta neste momento, mas chamar o resultado de “crescimento real”
exige comparação com levantamentos anteriores que tenham metodologia
semelhante.
O que se pode afirmar, com base nesta
pesquisa, é que Rafael não aparece como um candidato periférico na disputa.
Ao contrário: está numericamente próximo de Zenaide e reúne uma parcela
relevante dos votos em um cenário no qual ainda existe um contingente
expressivo de eleitores indecisos.
A diferença de apenas 1,4 ponto entre
os dois, diante de uma margem de erro de 2,77 pontos, impede uma leitura
simplista de que Zenaide estaria consolidada na segunda vaga. A disputa, pelos
números apresentados, permanece aberta.
E é justamente aí que Rafael Motta
passa a incomodar: ele não precisa necessariamente conquistar uma multidão
de novos eleitores para modificar o desenho da disputa; precisa avançar dentro
de um eleitorado que ainda não fechou questão.
A eleição ainda está longe de definida
O levantamento ouviu 1.250
eleitores em 60 municípios, entre 10 e 14 de agosto, com nível de confiança
de 95% e margem de erro de 2,77 pontos percentuais. A pesquisa está registrada
no TRE/RN sob o número RN-00166/2026 e no TSE sob o número BR-08695/2026,
conforme os dados apresentados.
A fotografia, portanto, é clara: Styvenson
lidera, enquanto Zenaide e Rafael aparecem separados por uma distância menor
que a margem de erro.
Isso não significa que Rafael já tenha
garantido uma vaga. Também não significa que Zenaide esteja fora da disputa
pela segunda cadeira.
Significa, objetivamente, que a
segunda vaga está em aberto e Rafael Motta se apresenta como um dos
protagonistas dessa disputa.
Com mais de 12% dos entrevistados
ainda sem posição definida em cada uma das escolhas, a campanha ainda terá
espaço para mudar o cenário. E, neste momento, os números mostram que Rafael
conseguiu chegar a uma faixa de votação que o coloca no jogo — e não apenas
como coadjuvante.
Dados da pesquisa:
• Período: 10 a 14 de agosto de 2026
• Amostra: 1.250 entrevistados
• Municípios: 60
• Margem de erro: ±2,77 pontos percentuais
• Confiança: 95%
• TRE/RN: RN-00166/2026
• TSE: BR-08695/2026