terça-feira, 20 de outubro de 2026

Operação Mederi: Justiça autoriza DisMed a voltar a contratar com poder público

 

Fonte Jornal de Fato

Nove meses após a Polícia Federal deflagrar a Operação Mederi, a empresa DisMed - Distribuidora de Medicamentos, que está no centro das investigações, recebeu autorização da Justiça Federal para voltar a disputar licitações e contratar com o poder público, exceto em Mossoró e outros cinco municípios da região alcançados pela operação.

A Mederi foi deflagrada no dia 27 de janeiro de 2026 para desmantelar um esquema de desvio de recursos da saúde pública de Mossoró e de outros municípios, por meio de contratos fraudulentos firmados por prefeituras com empresas como a DisMed. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do então prefeito de Mossoró e agora candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil). Ele é apontado, segundo a PF, no “topo” do esquema criminoso.

A liberação para a DisMed voltar a contratar com o poder público foi noticiada em primeira mão pelo jornalista Dinarte Assunção, diretor do Blog do Dina. A defesa pedia desde junho, mas a decisão só saiu agora em outubro.

Na petição daquele mês, a defesa chamou a suspensão de desproporcional: segundo ela, a medida impedia a DisMed de contratar com “mais de 94%” dos seus potenciais clientes públicos. Em setembro, voltou ao tema com um relatório de auditoria externa e o argumento de que, sem contratos, a empresa ficaria sem faturamento para responder a uma eventual condenação.

“O resultado não era o esperado. Até aqui, o tribunal vinha mantendo fechada a porta do setor público: ao liberar ex-sócios para trabalhar na iniciativa privada, o relator conservou a proibição de contratos, ajustes ou vínculos de qualquer natureza com entes da Administração Pública direta ou indireta, em qualquer esfera”, noticiou o jornalista.

A autorização chega depois de meses em que a DisMed não deixou de vender ao poder público. Como o Blog do Dina mostrou numa reportagem publicada em setembro, 46 municípios do Rio Grande do Norte empenharam R$ 1,8 milhão para a empresa depois da operação. O laudo anexado pela própria defesa lista nove atas e contratos novos com órgãos públicos, todos datados depois das buscas.

“Nos seis municípios investigados, a base do TCE não registrava nenhuma venda depois da operação. É essa a fronteira que a decisão agora torna oficial”, destaca a reportagem.