Cadu de Lula demonstrou preparo para o
debate. Conhecia os temas, apresentou argumentos e procurou confrontar a imagem
administrativa que Allyson tenta projetar para o Rio Grande do Norte.
Ao tratar da segurança hídrica,
destacou a chegada das águas do Rio São Francisco por duas frentes, a Barragem
de Oiticica, a perfuração de poços e outras iniciativas em andamento. Também
relacionou sua candidatura às ações dos governos federal e estadual, fazendo do
vínculo com Lula um dos eixos de sua estratégia política.
Na discussão sobre Mossoró, Cadu
procurou mostrar o outro lado da gestão de Allyson. Citou relatórios do
Ministério Público que, segundo sua argumentação, apontariam problemas na
oferta de vagas em creches e deficiências no atendimento a adolescentes e mulheres.
Também questionou a política
tributária municipal, mencionando casos de contribuintes que pagavam cerca de
R$ 80 de IPTU e teriam passado a receber cobranças superiores a R$ 800. Os
valores e as circunstâncias precisam ser conferidos nos documentos correspondentes,
mas a cobrança sobre o impacto dos tributos na vida da população é pertinente.
Cadu ainda questionou a relação de
Allyson com antigos aliados, citando Carlos Eduardo Alves e afirmando que o
adversário teria deixado de apoiar o ex-prefeito de Natal para se aproximar de
Paulinho Freire. Na disputa ideológica, classificou Allyson como o candidato
ligado ao bolsonarismo no Rio Grande do Norte, enquanto reforçou sua própria
ligação política com Lula.
Outro assunto recorrente foi a
investigação da Polícia Federal envolvendo suspeitas relacionadas a recursos
destinados à saúde de Mossoró, na qual Allyson figura entre os investigados. É
um tema que exige apuração rigorosa, mas deve ser tratado com responsabilidade:
ser investigado não significa ser culpado. As conclusões dependem das provas e
do andamento das investigações.
No conjunto, Cadu demonstrou
consciência dos temas, coerência na argumentação e habilidade para conduzir os
questionamentos. Não se limitou a repetir propostas: procurou confrontar o
adversário com questões concretas sobre sua gestão e suas alianças.
Mas poderia ter ido além.
Faltou insistir com mais firmeza na
indefinição de Allyson sobre a eleição presidencial. Cadu tinha diante de si
uma oportunidade de transformar uma questão política importante em um dos
momentos centrais do debate.
Em vez de apenas apontar a falta de
posicionamento, poderia ter insistido na pergunta direta: quem é o candidato de
Allyson à Presidência? E, diante de uma eventual ausência de resposta, poderia
ter cobrado do adversário uma explicação objetiva para essa escolha.
Cadu fez o dever de casa, mostrou
preparo e soube questionar. Faltou, porém, apertar mais onde o adversário
parecia menos disposto a se comprometer.
Em um debate dessa importância, não
basta identificar as contradições do oponente. É preciso explorá-las com
perguntas claras, insistência e argumentos capazes de ajudar o eleitor a
compreender o que está em jogo.
.png)
