Allyson Bezerra apresentou como
novidade a existência de uma suposta minuta de decreto do Governo do Estado
que, segundo ele, deverá ser publicada após as eleições. O documento preveria
cortes de aproximadamente R$ 190 milhões na execução do orçamento de 2026,
atingindo áreas como segurança pública, obras e até a Universidade do Estado do
Rio Grande do Norte (UERN).
A declaração é grave e, justamente por
isso, não pode ficar restrita ao palanque eleitoral. Se a minuta existe, é
necessário apresentar o documento, esclarecer sua origem e demonstrar quais
despesas seriam atingidas. Uma denúncia dessa dimensão exige provas. O eleitor
precisa saber se está diante de uma decisão efetivamente planejada pelo
governo, de uma proposta preliminar ou de uma interpretação política do
candidato.
Allyson também procurou valorizar sua
passagem pela Prefeitura de Mossoró, destacando a aprovação de sua gestão e
prometendo imprimir um novo ritmo à administração estadual. No campo das
propostas, voltou a defender medidas como a isenção do IPVA, a construção da
terceira ponte em Natal, o fim da fila de cirurgias eletivas e a recuperação do
fundo previdenciário.
São compromissos que despertam
interesse, mas que também precisam ser acompanhados de explicações sobre
custos, fontes de recursos, prazos e condições de execução. Em uma campanha
para governador, anunciar é a parte mais fácil. O desafio está em demonstrar
como cada promessa será transformada em realidade.
Entretanto, uma questão política
continua chamando a atenção: Allyson fala em honestidade, correção e
compromisso com a população, mas evita assumir claramente quem é seu candidato
à Presidência da República.
Essa indefinição não é um detalhe sem
importância. O eleitor tem o direito de conhecer as alianças e os
posicionamentos nacionais de quem pede seu voto para governar o Rio Grande do
Norte.
Allyson pode considerar conveniente
preservar essa posição em aberto, mas precisa compreender que o silêncio também
produz consequências políticas. Quando um candidato evita declarar seu
alinhamento presidencial, abre espaço para dúvidas sobre suas escolhas e sobre
os motivos que o levam a não assumir publicamente uma posição.
A crítica, aqui, não é afirmar que a
indefinição constitua uma ilegalidade, mas questionar a coerência entre o
discurso de integridade e uma estratégia eleitoral que deixa o eleitor sem uma
resposta objetiva.
Quem cobra clareza dos adversários
também precisa estar disposto a esclarecer as próprias escolhas.
Não basta apresentar uma imagem de
gestor eficiente e desfilar um conjunto de promessas. É preciso enfrentar as
perguntas incômodas, inclusive aquelas que podem trazer custos eleitorais.
Afinal, se assumir um presidenciável é
uma decisão política legítima, por que transformá-la em uma questão sem
resposta?
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