sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Debate InterTv cabugi: Allyson Bezerra muitas promessas, uma informação que exige provas e uma definição política evitada

 


Allyson Bezerra apresentou como novidade a existência de uma suposta minuta de decreto do Governo do Estado que, segundo ele, deverá ser publicada após as eleições. O documento preveria cortes de aproximadamente R$ 190 milhões na execução do orçamento de 2026, atingindo áreas como segurança pública, obras e até a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

A declaração é grave e, justamente por isso, não pode ficar restrita ao palanque eleitoral. Se a minuta existe, é necessário apresentar o documento, esclarecer sua origem e demonstrar quais despesas seriam atingidas. Uma denúncia dessa dimensão exige provas. O eleitor precisa saber se está diante de uma decisão efetivamente planejada pelo governo, de uma proposta preliminar ou de uma interpretação política do candidato.

Allyson também procurou valorizar sua passagem pela Prefeitura de Mossoró, destacando a aprovação de sua gestão e prometendo imprimir um novo ritmo à administração estadual. No campo das propostas, voltou a defender medidas como a isenção do IPVA, a construção da terceira ponte em Natal, o fim da fila de cirurgias eletivas e a recuperação do fundo previdenciário.

São compromissos que despertam interesse, mas que também precisam ser acompanhados de explicações sobre custos, fontes de recursos, prazos e condições de execução. Em uma campanha para governador, anunciar é a parte mais fácil. O desafio está em demonstrar como cada promessa será transformada em realidade.

Entretanto, uma questão política continua chamando a atenção: Allyson fala em honestidade, correção e compromisso com a população, mas evita assumir claramente quem é seu candidato à Presidência da República.

Essa indefinição não é um detalhe sem importância. O eleitor tem o direito de conhecer as alianças e os posicionamentos nacionais de quem pede seu voto para governar o Rio Grande do Norte.

Allyson pode considerar conveniente preservar essa posição em aberto, mas precisa compreender que o silêncio também produz consequências políticas. Quando um candidato evita declarar seu alinhamento presidencial, abre espaço para dúvidas sobre suas escolhas e sobre os motivos que o levam a não assumir publicamente uma posição.

A crítica, aqui, não é afirmar que a indefinição constitua uma ilegalidade, mas questionar a coerência entre o discurso de integridade e uma estratégia eleitoral que deixa o eleitor sem uma resposta objetiva.

Quem cobra clareza dos adversários também precisa estar disposto a esclarecer as próprias escolhas.

Não basta apresentar uma imagem de gestor eficiente e desfilar um conjunto de promessas. É preciso enfrentar as perguntas incômodas, inclusive aquelas que podem trazer custos eleitorais.

Afinal, se assumir um presidenciável é uma decisão política legítima, por que transformá-la em uma questão sem resposta?