segunda-feira, 5 de outubro de 2026

As urnas deram o recado: a oposição de Macau precisa rever sua estratégia

 


A política tem uma característica que nenhum discurso consegue controlar: no dia da eleição, quem fala é o eleitor. E em Macau, as urnas deram um recado importante. Mesmo diante das críticas enfrentadas pela prefeita Flavinha Veras, os candidatos que caminharam ao lado do seu projeto tiveram votações expressivas;

- Coronel Azevedo foi o deputado estadual mais votado, com 2.055 votos;

- Carla Dickson liderou para deputada federal, com 3.610;

- Samanda ficou em primeiro para o Senado, com 8.555;

- Lula recebeu 12.556 votos, correspondentes a 73,99% dos votos válidos.

Mas o resultado que merece atenção especial foi o da eleição para governador.

Cadu alcançou 9.623 votos em Macau, 59,54% dos votos válidos, abrindo uma maioria de 4.748 votos sobre Allyson e uma vantagem de 29,37 pontos percentuais. Em uma eleição estadual marcada pelo equilíbrio, o desempenho de Cadu no município mostra força política e não pode simplesmente ser ignorado por quem acompanha a política macauense.

Isso não significa que o governo Flavinha Veras esteja acima das críticas.

Fiscalizar, cobrar e apontar problemas fazem parte da democracia. O que precisa ser questionado é quando a oposição passa a trabalhar apenas com a lógica do “quanto pior, melhor”, como se todo problema administrativo automaticamente significasse rejeição ao governo. O eleitor pode reconhecer dificuldades e, ainda assim, entender que determinado projeto político merece continuar.

Talvez seja justamente aí que parte da oposição precise fazer uma reflexão.

Criticar é fácil; apresentar uma alternativa capaz de convencer o eleitor é muito mais difícil. Em vez de apostar apenas no desgaste da prefeita, é preciso mostrar propostas, apresentar soluções e dizer claramente o que faria diferente. Caso contrário, existe o risco de a oposição ficar presa à própria narrativa, falando cada vez mais para os seus próprios aliados e cada vez menos para a população.

As urnas não deram um cheque em branco a Flavinha, mas também não confirmaram a narrativa de uma rejeição generalizada ao seu grupo político.

O recado está dado para os dois lados: a prefeita precisa transformar confiança em trabalho e resultados como está fazendo; a oposição precisa recalcular a rota.

Porque Macau não precisa de uma política que torça para dar errado. Macau precisa de políticos que disputem ideias, apresentem soluções e trabalhem para que a cidade dê certo.

Mas o recado das urnas foi claro, curto e direto para oposição.