A política tem uma característica que
nenhum discurso consegue controlar: no dia da eleição, quem fala é o eleitor.
E em Macau, as urnas deram um recado importante. Mesmo diante das críticas
enfrentadas pela prefeita Flavinha Veras, os candidatos que caminharam ao lado
do seu projeto tiveram votações expressivas;
- Coronel Azevedo foi o deputado
estadual mais votado, com 2.055 votos;
- Carla Dickson liderou para deputada
federal, com 3.610;
- Samanda ficou em primeiro para o
Senado, com 8.555;
- Lula recebeu 12.556 votos,
correspondentes a 73,99% dos votos válidos.
Mas o resultado que merece atenção
especial foi o da eleição para governador.
Cadu alcançou 9.623 votos em Macau,
59,54% dos votos válidos, abrindo uma maioria de 4.748 votos sobre Allyson e
uma vantagem de 29,37 pontos percentuais. Em uma eleição estadual marcada pelo
equilíbrio, o desempenho de Cadu no município mostra força política e não pode
simplesmente ser ignorado por quem acompanha a política macauense.
Isso não significa que o governo
Flavinha Veras esteja acima das críticas.
Fiscalizar, cobrar e apontar problemas
fazem parte da democracia. O que precisa ser questionado é quando a oposição
passa a trabalhar apenas com a lógica do “quanto pior, melhor”, como se
todo problema administrativo automaticamente significasse rejeição ao governo.
O eleitor pode reconhecer dificuldades e, ainda assim, entender que determinado
projeto político merece continuar.
Talvez seja justamente aí que parte da
oposição precise fazer uma reflexão.
Criticar é fácil; apresentar uma
alternativa capaz de convencer o eleitor é muito mais difícil. Em vez de
apostar apenas no desgaste da prefeita, é preciso mostrar propostas, apresentar
soluções e dizer claramente o que faria diferente. Caso contrário, existe o
risco de a oposição ficar presa à própria narrativa, falando cada vez
mais para os seus próprios aliados e cada vez menos para a população.
As urnas não deram um cheque em branco
a Flavinha, mas também não confirmaram a narrativa de uma rejeição generalizada
ao seu grupo político.
O recado está dado para os dois lados:
a prefeita precisa transformar confiança em trabalho e resultados como está
fazendo; a oposição precisa recalcular a rota.
Porque Macau não precisa de uma
política que torça para dar errado. Macau precisa de políticos que disputem
ideias, apresentem soluções e trabalhem para que a cidade dê certo.
Mas o recado das urnas foi claro, curto e direto
para oposição.
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