| Fátima Bezerra e a nova senadora Samanda |
As urnas falaram. E o recado deixado
pelo eleitor potiguar, após o primeiro turno, permite uma leitura política
bastante clara: mesmo sem disputar nenhum cargo eletivo, a governadora
Fátima Bezerra sai das urnas como uma das grandes vencedoras do pleito no Rio
Grande do Norte.
Apurados os votos, alguns movimentos
ajudam a explicar essa avaliação.
Fátima conseguiu ver seu candidato
chegar ao segundo turno, mantendo a disputa aberta e em condições de
igualdade. Ao mesmo tempo, conseguiu ampliar a presença de sua base na
Assembleia Legislativa, fortalecendo politicamente o grupo que deverá dar
sustentação ao seu projeto.
No Senado
Outro resultado de peso: sua
candidata conquistou uma das vagas e deixou pelo caminho uma senadora que
estava no exercício do mandato, mostrando que a força política construída
pelo grupo governista conseguiu se transformar em votos.
E há ainda um componente nacional que
não pode ser ignorado: o presidente Lula voltou a ser o candidato mais
votado no Rio Grande do Norte, mantendo no estado uma das principais bases
eleitorais do petismo no Nordeste.
Mas a política, como sempre, também
produz suas ironias
No outro lado desse tabuleiro está Walter
Alves, atual vice-governador, que decidiu não assumir o comando do Governo
do Estado quando teve a oportunidade. Agora, diante do resultado das urnas,
também não conseguiu se eleger.
Fátima ainda não considera a missão
cumprida
Mas quem conhece a trajetória política
de Fátima Bezerra sabe que ela dificilmente ficará acomodada com o resultado
do primeiro turno.
A governadora sabe que o jogo ainda
não terminou.
A partir de agora, a tendência é
reunir novamente sua militância, reorganizar sua base política, conversar com
prefeitos, vereadores, lideranças regionais e aliados e percorrer o Rio
Grande do Norte em busca dos votos que faltam para transformar o resultado do
primeiro turno em vitória definitiva no segundo.
É justamente aí que começa uma nova
eleição.
O primeiro turno mostrou a força das
máquinas políticas, das alianças e, principalmente, a capacidade de
transferência de votos. O segundo turno será outro jogo, com novas estratégias,
novos discursos e, certamente, muita movimentação nos bastidores.
Fátima chega a essa nova etapa com um
ativo importante: seu grupo político saiu fortalecido das urnas.
Agora, resta saber se essa força será
suficiente para conduzir seu candidato à vitória.
Porque, como a própria política
potiguar já ensinou várias vezes, primeiro turno não elege sozinho. O
segundo turno é outra história — e Fátima Bezerra parece saber disso muito bem.
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