segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Robinson Faria fica fora da Câmara por apenas 32 votos; entenda como uma votação de 123 mil votos não garantiu a eleição

 


O resultado das urnas deste domingo (4) produziu uma das disputas mais apertadas das eleições para deputado federal no Rio Grande do Norte. O ex-governador e atual deputado federal Robinson Faria (PP) recebeu 123.008 votos, mas não conseguiu renovar o mandato. A diferença para o também deputado federal João Maia (PP) foi de apenas 32 votos.

João Maia terminou a apuração com 123.040 votos e ficou com a segunda vaga da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A primeira cadeira da federação ficou com Benes Leocádio, que recebeu 171.396 votos. Robinson, com 123.008 votos, terminou logo atrás de João Maia e ficou na condição de suplente.

O caso chama atenção porque Robinson não teve uma votação pequena. Pelo contrário: seus 123 mil votos seriam suficientes para superar a votação de Thabatta Pimenta, que foi eleita com 92.743 votos, mas isso não significa que Robinson pudesse ocupar a cadeira conquistada pela Federação Brasil da Esperança. Na eleição proporcional, primeiro são distribuídas as vagas entre partidos e federações; depois, as cadeiras conquistadas por cada grupo são preenchidas pelos candidatos mais votados daquela legenda ou federação.

E foi justamente aí que Robinson acabou ficando pelo caminho. O Rio Grande do Norte tinha oito cadeiras em disputa. Ao final da apuração, a Federação União Progressista ficou com duas delas. Dentro da federação, Benes foi o mais votado e João Maia terminou apenas 32 votos à frente de Robinson. Como havia duas cadeiras, os dois primeiros colocados ficaram com as vagas, enquanto Robinson ficou de fora.

O resultado também ajuda a explicar a imagem que viralizou nas redes sociais mostrando um boné com o número de Robinson jogado no lixo. A fotografia ganhou um tom irônico diante de uma derrota que pode ser considerada matematicamente apertadíssima: 123.008 votos não foram suficientes, enquanto 123.040 garantiram a João Maia a permanência na Câmara.

No fim das contas, a eleição de Robinson Faria mostra, de maneira bastante clara, que na disputa proporcional não basta ser bem votado individualmente. É preciso que a legenda ou federação conquiste cadeiras suficientes e, dentro desse grupo, que o candidato esteja entre os mais votados. Robinson terminou com apenas 32 votos a menos que o último eleito de sua própria federação.

Para Robinson, fica uma situação difícil de digerir politicamente: mais de 123 mil eleitores votaram em seu nome, mas 32 votos separaram sua candidatura da cadeira ocupada por João Maia. É uma das diferenças mais estreitas já registradas em uma disputa por vaga na bancada federal potiguar.