O resultado das urnas deste domingo
(4) produziu uma das disputas mais apertadas das eleições para deputado federal
no Rio Grande do Norte. O ex-governador e atual deputado federal Robinson Faria
(PP) recebeu 123.008 votos, mas não conseguiu renovar o mandato. A diferença
para o também deputado federal João Maia (PP) foi de apenas 32 votos.
João Maia terminou a apuração com 123.040
votos e ficou com a segunda vaga da Federação União Progressista, formada por
União Brasil e PP. A primeira cadeira da federação ficou com Benes Leocádio,
que recebeu 171.396 votos. Robinson, com 123.008 votos, terminou logo atrás de
João Maia e ficou na condição de suplente.
O caso chama atenção porque Robinson
não teve uma votação pequena. Pelo contrário: seus 123 mil votos seriam
suficientes para superar a votação de Thabatta Pimenta, que foi eleita com 92.743
votos, mas isso não significa que Robinson pudesse ocupar a cadeira conquistada
pela Federação Brasil da Esperança. Na eleição proporcional, primeiro são
distribuídas as vagas entre partidos e federações; depois, as cadeiras
conquistadas por cada grupo são preenchidas pelos candidatos mais votados
daquela legenda ou federação.
E foi justamente aí que Robinson
acabou ficando pelo caminho. O Rio Grande do Norte tinha oito cadeiras em
disputa. Ao final da apuração, a Federação União Progressista ficou com duas
delas. Dentro da federação, Benes foi o mais votado e João Maia terminou
apenas 32 votos à frente de Robinson. Como havia duas cadeiras, os dois
primeiros colocados ficaram com as vagas, enquanto Robinson ficou de fora.
O resultado também ajuda a explicar a
imagem que viralizou nas redes sociais mostrando um boné com o número de
Robinson jogado no lixo. A fotografia ganhou um tom irônico diante de uma
derrota que pode ser considerada matematicamente apertadíssima: 123.008 votos
não foram suficientes, enquanto 123.040 garantiram a João Maia a permanência na
Câmara.
No fim das contas, a eleição de
Robinson Faria mostra, de maneira bastante clara, que na disputa proporcional não
basta ser bem votado individualmente. É preciso que a legenda ou federação
conquiste cadeiras suficientes e, dentro desse grupo, que o candidato esteja
entre os mais votados. Robinson terminou com apenas 32 votos a menos que o
último eleito de sua própria federação.
Para Robinson, fica uma situação
difícil de digerir politicamente: mais de 123 mil eleitores votaram em seu
nome, mas 32 votos separaram sua candidatura da cadeira ocupada por João Maia.
É uma das diferenças mais estreitas já registradas em uma disputa por vaga na
bancada federal potiguar.
.png)

