terça-feira, 4 de agosto de 2026

Justiça do Trabalho chama atenção para assédio eleitoral

 


Com a chegada do período eleitoral, a Justiça do Trabalho alerta para uma prática ilegal que fere a liberdade do voto: o assédio eleitoral nas relações de trabalho. A conduta ocorre quando empregadores ou pessoas em posição de chefia utilizam sua autoridade para pressionar, influenciar ou constranger trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político. A prática pode gerar consequências nas esferas trabalhista, eleitoral e, em alguns casos, criminal.

O assédio eleitoral pode ocorrer por meio de promessas de benefícios, ameaças de demissão, perseguição ou qualquer outra forma de pressão relacionada à escolha política do empregado. A Justiça do Trabalho pode determinar indenizações quando ficar comprovado o abuso do poder do empregador e a violação do direito ao voto livre e secreto.

Um dos casos julgados envolveu uma indústria de embalagens de Rio Verde (GO), condenada por promover reuniões durante o segundo turno das eleições de 2022 para pressionar funcionários a apoiar determinado candidato. Testemunhas relataram que a empresa prometia uma folga caso o candidato vencesse. A decisão determinou o pagamento de R$ 1 mil por danos morais a cada empregado que trabalhava na empresa durante a campanha eleitoral.

Outro caso ocorreu em Vitória (ES), onde uma empresa de coaching foi condenada a indenizar uma vendedora em R$ 8 mil por assédio eleitoral. A trabalhadora comprovou, por meio de áudios, mensagens e testemunhas, que os empregados eram pressionados a declarar apoio ao candidato defendido pela empresa. Como se recusou a revelar sua posição política, foi demitida às vésperas do segundo turno, juntamente com outros colegas.

A Justiça do Trabalho ressalta que nem toda conversa sobre política configura assédio. A irregularidade ocorre quando há intimidação ou constrangimento. Entre as práticas proibidas estão ameaçar demissão ou prejuízos por causa do voto, oferecer vantagens em troca de apoio político, obrigar a participação em atos de campanha, exigir manifestações políticas nas redes sociais, pressionar trabalhadores a revelar o voto ou discriminar empregados por suas convicções políticas.