Por trás da retirada da vereadora
Cristiana da chapa da Câmara, existe muito mais do que uma simples mudança de
composição. Pelo menos é o que se comenta nos bastidores da política de Porto
do Mangue.
A eleição para a presidência da Câmara
de Porto do Mangue ganhou mais um capítulo daqueles que a política municipal
sabe produzir como ninguém.
A vereadora Cristiana, que
estava cotada para ocupar a vice-presidência na chapa encabeçada por Juscelino,
acabou retirada da composição.
Até aí, tudo poderia parecer apenas
uma mudança política.
Mas aí começam as perguntas.
Cristiana era uma das poucas
vereadoras que já havia declarado publicamente apoio a Juscelino. E justamente
depois desse posicionamento, deixou de fazer parte da chapa.
Coincidência?
Pode ser.
Mas, na política, como dizia o velho
ditado, quando a fumaça aparece, alguém precisa descobrir onde está o fogo.
E o protagonismo incomodou?
Cristiana não é uma vereadora de ficar
apenas sentada esperando a pauta chegar à Câmara.
A parlamentar tem buscado recursos e
melhorias para Porto do Mangue, inclusive articulando demandas como a cobertura
do pátio do colégio municipal e a disponibilização de ambulância para o
município.
E é justamente aí que surge uma
possível explicação para o episódio.
Segundo informações que chegaram ao
Blog, o protagonismo político da vereadora teria começado a incomodar
setores do próprio grupo.
A versão que circula nos bastidores é
que Cristiana teria sido orientada a recuar na sua forma de fazer política.
Ora, mas desde quando vereador precisa
pedir licença para exercer mandato?
Câmara e Prefeitura: quem manda em
quem?
É aqui que a história fica ainda mais
interessante.
Nos bastidores, existe uma avaliação
de que o futuro presidente da Câmara, Juscelino, e o prefeito Faustino
estariam construindo uma relação política na qual um fortalece o outro.
E, segundo informações recebidas pelo
Blog, quem controla as decisões do prefeito seria Juscelino e, ao mesmo
tempo, o prefeito teria influência sobre as decisões da futura presidência da
Câmara.
Se essa leitura estiver correta,
estamos diante de algo maior do que uma simples eleição para a Mesa Diretora.
Estamos falando de um projeto de
poder.
Um controla o Executivo.
O outro passa a comandar o
Legislativo.
E, no meio dessa equação, quem não
estiver disposto a seguir a cartilha pode acabar descobrindo que, na política,
aliado é aliado... até o momento em que deixa de ser conveniente.
E Cristiana entrou onde nessa
história?
Talvez justamente onde não deveria,
segundo a lógica desse jogo: com personalidade própria.
Cristiana, ao que tudo indica, não
estaria disposta a simplesmente concordar com qualquer postura adotada pelo
prefeito ou pelo futuro presidente da Câmara.
E isso, em determinadas alianças
políticas, pode ser considerado um problema.
Porque uma coisa é ter uma vereadora
na chapa.
Outra, bem diferente, é ter uma
vereadora na chapa que pensa, questiona, articula recursos e não aceita ser
apenas figurante.
A pergunta que não quer calar
O que realmente está por trás da
retirada de Cristiana da chapa de Juscelino?
Foi apenas uma mudança de estratégia?
Foi uma questão de composição?
Ou o verdadeiro motivo foi o receio de
que uma vice-presidente com independência política pudesse não acompanhar
determinadas decisões do grupo?
A população de Porto do Mangue merece
saber.
Porque eleição de Câmara não deveria
servir para montar um “condomínio fechado do poder”, onde Executivo e
Legislativo passam a funcionar como se fossem dois lados da mesma moeda.
E fica o questionamento:
Juscelino quer apenas presidir a
Câmara ou pretende exercer influência também sobre o Executivo?
Faustino quer apenas administrar a
Prefeitura ou pretende ter no Legislativo uma presidência absolutamente
alinhada aos seus interesses?
E, principalmente:
quem realmente ganhou e quem perdeu
com a saída de Cristiana da chapa?
Uma coisa é certa: na política
portomanguense, quando alguém é retirado da fotografia depois de já ter sido
chamado para posar, vale perguntar quem mandou apagar a foto.
E essa resposta pode dizer muito sobre
quem está jogando para ganhar a eleição da Câmara — e, principalmente, quem
pretende mandar depois dela.
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