terça-feira, 15 de setembro de 2026

O velho jogo de interesses da política portomanguense faz mais uma vítima — desta vez, Cristiana

 


Por trás da retirada da vereadora Cristiana da chapa da Câmara, existe muito mais do que uma simples mudança de composição. Pelo menos é o que se comenta nos bastidores da política de Porto do Mangue.

A eleição para a presidência da Câmara de Porto do Mangue ganhou mais um capítulo daqueles que a política municipal sabe produzir como ninguém.

A vereadora Cristiana, que estava cotada para ocupar a vice-presidência na chapa encabeçada por Juscelino, acabou retirada da composição.

Até aí, tudo poderia parecer apenas uma mudança política.

Mas aí começam as perguntas.

Cristiana era uma das poucas vereadoras que já havia declarado publicamente apoio a Juscelino. E justamente depois desse posicionamento, deixou de fazer parte da chapa.

Coincidência?

Pode ser.

Mas, na política, como dizia o velho ditado, quando a fumaça aparece, alguém precisa descobrir onde está o fogo.

E o protagonismo incomodou?

Cristiana não é uma vereadora de ficar apenas sentada esperando a pauta chegar à Câmara.

A parlamentar tem buscado recursos e melhorias para Porto do Mangue, inclusive articulando demandas como a cobertura do pátio do colégio municipal e a disponibilização de ambulância para o município.

E é justamente aí que surge uma possível explicação para o episódio.

Segundo informações que chegaram ao Blog, o protagonismo político da vereadora teria começado a incomodar setores do próprio grupo.

A versão que circula nos bastidores é que Cristiana teria sido orientada a recuar na sua forma de fazer política.

Ora, mas desde quando vereador precisa pedir licença para exercer mandato?

Câmara e Prefeitura: quem manda em quem?

É aqui que a história fica ainda mais interessante.

Nos bastidores, existe uma avaliação de que o futuro presidente da Câmara, Juscelino, e o prefeito Faustino estariam construindo uma relação política na qual um fortalece o outro.

E, segundo informações recebidas pelo Blog, quem controla as decisões do prefeito seria Juscelino e, ao mesmo tempo, o prefeito teria influência sobre as decisões da futura presidência da Câmara.

Se essa leitura estiver correta, estamos diante de algo maior do que uma simples eleição para a Mesa Diretora.

Estamos falando de um projeto de poder.

Um controla o Executivo.

O outro passa a comandar o Legislativo.

E, no meio dessa equação, quem não estiver disposto a seguir a cartilha pode acabar descobrindo que, na política, aliado é aliado... até o momento em que deixa de ser conveniente.

E Cristiana entrou onde nessa história?

Talvez justamente onde não deveria, segundo a lógica desse jogo: com personalidade própria.

Cristiana, ao que tudo indica, não estaria disposta a simplesmente concordar com qualquer postura adotada pelo prefeito ou pelo futuro presidente da Câmara.

E isso, em determinadas alianças políticas, pode ser considerado um problema.

Porque uma coisa é ter uma vereadora na chapa.

Outra, bem diferente, é ter uma vereadora na chapa que pensa, questiona, articula recursos e não aceita ser apenas figurante.

A pergunta que não quer calar

O que realmente está por trás da retirada de Cristiana da chapa de Juscelino?

Foi apenas uma mudança de estratégia?

Foi uma questão de composição?

Ou o verdadeiro motivo foi o receio de que uma vice-presidente com independência política pudesse não acompanhar determinadas decisões do grupo?

A população de Porto do Mangue merece saber.

Porque eleição de Câmara não deveria servir para montar um “condomínio fechado do poder”, onde Executivo e Legislativo passam a funcionar como se fossem dois lados da mesma moeda.

E fica o questionamento:

Juscelino quer apenas presidir a Câmara ou pretende exercer influência também sobre o Executivo?

Faustino quer apenas administrar a Prefeitura ou pretende ter no Legislativo uma presidência absolutamente alinhada aos seus interesses?

E, principalmente:

quem realmente ganhou e quem perdeu com a saída de Cristiana da chapa?

Uma coisa é certa: na política portomanguense, quando alguém é retirado da fotografia depois de já ter sido chamado para posar, vale perguntar quem mandou apagar a foto.

E essa resposta pode dizer muito sobre quem está jogando para ganhar a eleição da Câmara — e, principalmente, quem pretende mandar depois dela.