Parece que Allyson Bezerra descobriu
uma nova modalidade esportiva: pegar carona na comemoração dos outros.
O candidato ao Governo do Rio Grande
do Norte talvez esteja apostando que o norte-rio-grandense — especialmente o
mossoroense — sofre de uma espécie de amnésia política seletiva. Só pode.
Porque, quando o assunto é futebol de
Mossoró, a memória não é tão curta assim.
Entenda
Foi Allyson quem, durante sua passagem
pela Prefeitura de Mossoró, fechou o Nogueirão e, posteriormente, deixou o
estádio mergulhado no velho campeonato das promessas, reuniões, anúncios e
expectativas. Enquanto isso, o tradicional futebol mossoroense continuava
esperando pela bola rolar dentro de casa.
Como se não bastasse, veio o
rompimento de uma parceria que atravessava duas décadas com Potiguar e
Baraúnas. E os dois clubes, nos últimos anos, passaram a enfrentar
dificuldades que parecem não ter fim.
Resultado?
Entre torcedores e setores ligados ao
futebol local, Allyson ganhou um apelido nada simpático: “coveiro do futebol
mossoroense”.
Mas eis que surge uma oportunidade
O ABC consegue a classificação para a
Série D, a festa acontece na Arena das Dunas, o estádio recebe um grande
público e... quem aparece? Ele mesmo. Allyson.
Sorridente, participativo, devidamente
inserido no cenário e, claro, com a câmera por perto.
Ora, pois!
Se o futebol mossoroense está com
problemas, não significa que o político precise ficar longe de uma boa foto
futebolística.
Afinal, política também é saber
escolher a arquibancada.
Em Mossoró, onde Potiguar e Baraúnas
enfrentam suas dificuldades e o Nogueirão continua sendo uma espécie de
personagem de novela — sempre prometendo voltar no próximo capítulo —, talvez
não haja muito espaço para comemoração.
Então a solução foi simples: pegar a
estrada para Natal e comemorar a classificação do ABC.
É uma estratégia inteligente
- Não precisa explicar o que aconteceu
com o futebol de Mossoró;
- Não precisa falar do Nogueirão;
- Não precisa lembrar a história da
parceria com Potiguar e Baraúnas;
Basta aparecer na Arena das Dunas,
sorrir para as câmeras e entrar na fotografia da festa.
É o chamado marketing político por
tabela.
O ABC faz o gol. A torcida comemora. E
o político tenta aproveitar o rebote.
Quer dizer
Só faltou combinar com o torcedor
mossoroense, esse sujeito inconveniente que insiste em lembrar do passado.
Porque memória, na política, é um
negócio danado.
Principalmente quando o cidadão olha
para a foto da festa em Natal e pergunta:
“Mas esse aí não é o mesmo que deixou
o futebol de Mossoró pedindo socorro?”
Enfim
O futebol da terra natal pode estar no
banco de reservas, mas a campanha eleitoral parece estar jogando os 90 minutos.
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