terça-feira, 6 de outubro de 2026

Depois das urnas, o mapa político do RN começa a mudar: lideranças de Álvaro Dias entram no radar de Cadu

 


O resultado das urnas no Rio Grande do Norte chama atenção não apenas pela pequena diferença entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula, mas também pelo contraste entre o cenário que vinha sendo desenhado ao longo da pré-campanha e a nova realidade produzida pelo voto.

Allyson chegou às urnas depois de uma campanha marcada pela forte presença em diferentes regiões do Estado e por uma intensa busca de votos. Mas, abertas as urnas, o resultado mostrou uma disputa muito mais equilibrada do que algumas leituras anteriores poderiam sugerir.

Allyson terminou o primeiro turno com 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu de Lula alcançou 36,16% — uma diferença de apenas 0,78 ponto percentual. Álvaro Dias ficou em terceiro, com 26,71%.

Outro dado que merece atenção: Cadu foi o candidato mais votado em 73 dos 167 municípios potiguares. Allyson venceu em 65 cidades, enquanto Álvaro Dias terminou à frente em 29 municípios.

E é justamente aí que começa uma nova fase da eleição

O que antes poderia parecer improvável — a aproximação de lideranças que estavam no campo político de Álvaro Dias com o grupo liderado por Cadu de Lula — passou a fazer parte das conversas políticas do segundo turno.

Não significa, necessariamente, que todos aqueles que apoiaram Álvaro migrarão para Cadu. Mas é fato que o segundo turno abre uma nova rodada de negociações, conversas e reposicionamentos políticos.

A pergunta que começa a circular nos bastidores é simples: para onde irão os votos e, principalmente, as estruturas políticas que estavam no campo de Álvaro Dias?

São prefeitos, vereadores, deputados e lideranças regionais que agora precisam decidir se permanecem neutros, se acompanham Allyson ou se estabelecem algum tipo de entendimento com Cadu de Lula.

Ezequiel Ferreira no centro das conversas

Um dos nomes que aparece com frequência nesse cenário é o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira.

Antes do primeiro turno, Ezequiel e o PSDB haviam declarado apoio à candidatura de Álvaro Dias, movimento que levou novas lideranças ao grupo.

Agora, com Álvaro fora da disputa, o futuro desse grupo passou a ser observado com atenção.

A imprensa política potiguar já vinha tratando o grupo de Ezequiel como peça importante na disputa estadual. Cadu Xavier, inclusive, havia afirmado anteriormente que ainda mantinha conversas com o PSDB e que gostaria de contar com os tucanos em seu projeto.

Por isso, qualquer movimentação de Ezequiel ou de outras lideranças que estavam com Álvaro poderá produzir novos rearranjos no mapa político do Estado.

O segundo turno começa com uma nova configuração

A eleição, portanto, entra em uma fase completamente diferente.

De um lado, Allyson tenta transformar a vantagem de aproximadamente 15,5 mil votos obtida no primeiro turno em uma base suficiente para o segundo. Do outro, Cadu busca ampliar seu campo político e incorporar novas lideranças e eleitores que estavam fora de sua aliança no primeiro turno.

O que está em jogo agora não é apenas a transferência automática dos votos de Álvaro Dias.

É a capacidade de cada grupo de construir novos entendimentos políticos para o segundo turno.

E, nesse novo tabuleiro, prefeitos, deputados, vereadores e lideranças que até domingo estavam em outros palanques passaram a ser procurados pelos dois lados.

O primeiro turno terminou. A eleição, porém, está longe de terminar.

Agora começa uma nova disputa: a disputa pelos apoios, pelos palanques e pelos votos que ficaram pelo caminho.