terça-feira, 20 de outubro de 2026

Confronto entre bolsonaristas e estudantes de esquerda termina em agressões dentro da UFRN, em Natal

 


Uma manifestação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro terminou em confronto com estudantes ligados à esquerda no fim da tarde desta segunda-feira (19), nas imediações do Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal. Convocado para as 16h com o tema “UFRN anti-Lula”, o ato reuniu carro de som, faixas e o boneco inflável Pixuleco, utilizado em protestos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Imagens divulgadas nas redes sociais mostram troca de socos, chutes e empurrões entre participantes dos dois grupos.

Entre os participantes da manifestação estavam o deputado federal General Girão (PL), a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL), o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, e Paula Castelo Branco, apontada como liderança do movimento Direita UFRN. 

Os organizadores apresentavam críticas aos cortes orçamentários, às condições da estrutura universitária e a promessas atribuídas ao governo Lula para o ensino superior. A mobilização provocou um contraprotesto de estudantes de esquerda, que exibiram faixas em apoio ao presidente. A tensão aumentou junto ao portão do Setor IV, que ficou danificado após o tumulto.

Os relatos sobre o início da confusão são divergentes.

O estudante de Jornalismo Henrique Neiva afirmou ter sido agredido por integrantes do grupo bolsonarista e relatou que teve um dente quebrado. Outro jovem teria ficado com os óculos quebrados. Já o estudante Fernando Neto afirmou que integrantes da esquerda tentaram impedir o ato com pedras e cocos e perfuraram o boneco Pixuleco com uma faca. 

Uma participante também relatou uma suposta tentativa de atingir General Girão com uma pedra e alegou ter visto uma faca e uma arma de fogo. O professor Henrique Wellen, que tentou mediar a situação, relatou provocações, xingamentos e agressões pontuais, destacando que a vigilância universitária tinha efetivo insuficiente para controlar o conflito.

A ocorrência também mobilizou a fiscalização eleitoral. Uma equipe da Justiça Eleitoral, acompanhada por policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar, foi ao local, mas os manifestantes já haviam se dispersado. O ato foi denunciado pelo aplicativo Pardal por possível propaganda eleitoral irregular. 

A legislação eleitoral restringe a propaganda em bens públicos, mas a liberdade de manifestação política nas universidades também é protegida por decisões judiciais. Assim, a presença de conteúdo político, isoladamente, não comprova uma infração. O episódio deixa a necessidade de apurar as agressões, esclarecer as versões apresentadas e identificar eventuais responsabilidades, sem transformar acusações ainda não comprovadas em fatos definitivos.