Uma manifestação de
apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro terminou em confronto com estudantes
ligados à esquerda no fim da tarde desta segunda-feira (19), nas imediações do
Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte (UFRN), em Natal. Convocado para as 16h com o tema “UFRN anti-Lula”, o
ato reuniu carro de som, faixas e o boneco inflável Pixuleco, utilizado em
protestos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Imagens
divulgadas nas redes sociais mostram troca de socos, chutes e empurrões entre
participantes dos dois grupos.
Entre os participantes da manifestação estavam o deputado federal General Girão (PL), a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL), o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, e Paula Castelo Branco, apontada como liderança do movimento Direita UFRN.
Os organizadores apresentavam críticas aos
cortes orçamentários, às condições da estrutura universitária e a promessas
atribuídas ao governo Lula para o ensino superior. A mobilização provocou um
contraprotesto de estudantes de esquerda, que exibiram faixas em apoio ao
presidente. A tensão aumentou junto ao portão do Setor IV, que ficou danificado
após o tumulto.
Os relatos sobre o
início da confusão são divergentes.
O estudante de Jornalismo Henrique Neiva afirmou ter sido agredido por integrantes do grupo bolsonarista e relatou que teve um dente quebrado. Outro jovem teria ficado com os óculos quebrados. Já o estudante Fernando Neto afirmou que integrantes da esquerda tentaram impedir o ato com pedras e cocos e perfuraram o boneco Pixuleco com uma faca.
Uma participante também relatou uma suposta tentativa de
atingir General Girão com uma pedra e alegou ter visto uma faca e uma arma de
fogo. O professor Henrique Wellen, que tentou mediar a situação, relatou
provocações, xingamentos e agressões pontuais, destacando que a vigilância
universitária tinha efetivo insuficiente para controlar o conflito.
A ocorrência também mobilizou a fiscalização eleitoral. Uma equipe da Justiça Eleitoral, acompanhada por policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar, foi ao local, mas os manifestantes já haviam se dispersado. O ato foi denunciado pelo aplicativo Pardal por possível propaganda eleitoral irregular.
A legislação eleitoral
restringe a propaganda em bens públicos, mas a liberdade de manifestação
política nas universidades também é protegida por decisões judiciais. Assim, a
presença de conteúdo político, isoladamente, não comprova uma infração. O
episódio deixa a necessidade de apurar as agressões, esclarecer as versões
apresentadas e identificar eventuais responsabilidades, sem transformar
acusações ainda não comprovadas em fatos definitivos.
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