segunda-feira, 19 de outubro de 2026

BR-110: Protestar aos 45 minutos do segundo tempo resolve o problema?

 


O cidadão passa três anos e alguns meses convivendo com problemas, esperando providências e, muitas vezes, sem encontrar respostas do poder público. Mas, quando chega o período eleitoral, as reivindicações ganham força, as mobilizações aparecem e problemas antigos voltam a ocupar o centro das atenções.

O que antes parecia esquecido passa a ser lembrado quando o calendário eleitoral se aproxima.

Um protesto interditou a BR-110, na comunidade do Piquiri, em uma mobilização por melhorias na segurança da rodovia. Segundo moradores, as principais reivindicações são a melhoria da sinalização e a instalação de radares de velocidade, medidas que, na avaliação dos manifestantes, podem ajudar a prevenir acidentes e proteger motoristas e moradores.

A BR-110 é uma importante via de ligação entre Mossoró, Areia Branca, Porto do Mangue, Ponta do Mel e outras comunidades da região. Portanto, discutir a segurança desse trecho não é uma questão menor. É uma necessidade que envolve vidas, mobilidade e responsabilidade das autoridades competentes.

Mas fica uma reflexão: por que esperar tanto tempo para cobrar providências?

Se os problemas existem há anos, por que a mobilização popular não acontece com a mesma intensidade durante todo esse período? Por que tantas reivindicações só ganham visibilidade quando o calendário político começa a esquentar?

É preciso compreender que protestar é um direito do cidadão, assim como cobrar dos gestores e das autoridades públicas respostas para os problemas que afetam a coletividade. A população não deve se calar diante da falta de soluções, muito menos deixar de reivindicar melhorias por receio de desagradar a quem ocupa o poder.

Entretanto, reivindicar aos 45 minutos do segundo tempo pode chamar a atenção, mas não deveria ser o caminho para que problemas antigos sejam finalmente ouvidos.

A participação popular precisa ser permanente 

A cobrança deve acontecer no primeiro ano de uma gestão, continuar no segundo e permanecer até o último dia do mandato. Afinal, a segurança nas rodovias não pode depender da proximidade das eleições, assim como a responsabilidade dos gestores não pode ser lembrada apenas quando o clima político começa a mudar.

No caso da BR-110, a pergunta que permanece é objetiva: quais providências foram solicitadas anteriormente, quais respostas foram apresentadas e o que efetivamente foi feito para garantir a segurança de quem trafega pelo trecho do Piquiri?

Mais do que discutir o momento do protesto, é preciso cobrar respostas concretas. Porque, quando o assunto é segurança viária, o que está em jogo não é a conveniência política de ninguém, mas a vida das pessoas.

E vida não pode esperar o calendário eleitoral.