O cidadão passa três anos e alguns
meses convivendo com problemas, esperando providências e, muitas vezes, sem
encontrar respostas do poder público. Mas, quando chega o período eleitoral, as
reivindicações ganham força, as mobilizações aparecem e problemas antigos
voltam a ocupar o centro das atenções.
O que antes parecia esquecido passa a
ser lembrado quando o calendário eleitoral se aproxima.
Um protesto interditou a BR-110, na
comunidade do Piquiri, em uma mobilização por melhorias na segurança da
rodovia. Segundo moradores, as principais reivindicações são a melhoria da
sinalização e a instalação de radares de velocidade, medidas que, na avaliação
dos manifestantes, podem ajudar a prevenir acidentes e proteger motoristas e
moradores.
A BR-110 é uma importante via de
ligação entre Mossoró, Areia Branca, Porto do Mangue, Ponta do Mel e
outras comunidades da região. Portanto, discutir a segurança desse trecho não é
uma questão menor. É uma necessidade que envolve vidas, mobilidade e
responsabilidade das autoridades competentes.
Mas fica uma reflexão: por que esperar
tanto tempo para cobrar providências?
Se os problemas existem há anos, por
que a mobilização popular não acontece com a mesma intensidade durante todo
esse período? Por que tantas reivindicações só ganham visibilidade quando o
calendário político começa a esquentar?
É preciso compreender que protestar é
um direito do cidadão, assim como cobrar dos gestores e das autoridades
públicas respostas para os problemas que afetam a coletividade. A população não
deve se calar diante da falta de soluções, muito menos deixar de reivindicar
melhorias por receio de desagradar a quem ocupa o poder.
Entretanto, reivindicar aos 45
minutos do segundo tempo pode chamar a atenção, mas não deveria ser o caminho
para que problemas antigos sejam finalmente ouvidos.
A participação popular precisa ser permanente
A cobrança deve acontecer no primeiro ano de uma gestão, continuar no segundo e permanecer até o último dia do mandato. Afinal, a segurança nas rodovias não pode depender da proximidade das eleições, assim como a responsabilidade dos gestores não pode ser lembrada apenas quando o clima político começa a mudar.
No caso da BR-110, a pergunta que
permanece é objetiva: quais providências foram solicitadas anteriormente,
quais respostas foram apresentadas e o que efetivamente foi feito para garantir
a segurança de quem trafega pelo trecho do Piquiri?
Mais do que discutir o momento do
protesto, é preciso cobrar respostas concretas. Porque, quando o assunto é
segurança viária, o que está em jogo não é a conveniência política de ninguém,
mas a vida das pessoas.
E vida não pode esperar o calendário
eleitoral.
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