Quando chega o período eleitoral,
aparecem pesquisas para todos os gostos. E, dependendo do resultado, tem
candidato sorrindo de um jeito, aliado comemorando de outro e grupo político
tentando transformar alguns números em demonstração de força eleitoral.
Mas é preciso separar pesquisa,
realidade eleitoral e narrativa política.
Quem acompanha política sabe que uma
cidade ou região com pouco mais de 20 mil votos dificilmente consegue, sozinha,
eleger um candidato da própria terra para uma cadeira na Assembleia Legislativa
ou na Câmara Federal. Não é uma questão de opinião. É matemática eleitoral.
Veja bem
Quem pretende disputar uma vaga
estadual ou federal precisa pensar muito além das fronteiras do próprio
município.
Não basta aparecer bem em uma pesquisa
local, ter uma votação expressiva em determinado bairro ou apresentar um
levantamento favorável em sua cidade.
O projeto eleitoral precisa alcançar dezenas
de municípios, construir alianças, conquistar lideranças e formar uma base
capaz de produzir votos em diferentes regiões do Rio Grande do Norte.
É assim que funciona uma eleição
proporcional.
Até porque...
É absolutamente natural que municípios potiguares tenham seus próprios representantes disputando vagas de deputado estadual ou federal.Cada liderança tem o direito de apresentar seu projeto, buscar apoios e tentar construir sua candidatura.
O problema começa quando um
resultado municipal é apresentado como se fosse, por si só, uma demonstração de
viabilidade para uma eleição estadual ou federal.
Uma coisa é liderar ou aparecer bem dentro de determinado território. Outra, completamente diferente, é transformar esse desempenho em votação suficiente para alcançar uma cadeira no Legislativo estadual ou federal.
O X da questão
É justamente aí que mora a diferença
entre projeto eleitoral e projeto político local.
Quando um candidato tenta vender a
ideia de que a força eleitoral concentrada em seu município seria suficiente
para garantir uma eleição estadual ou federal, talvez seja necessário observar
com mais atenção qual é o verdadeiro objetivo daquela movimentação.
Porque uma candidatura estadual precisa ser estadual. Precisa sair da praça, da comunidade, do bairro e da cidade. Precisa atravessar divisas municipais. Precisa conquistar votos onde o candidato talvez sequer tenha presença política histórica.
E é aí que mora o perigo...
O perigo não está na pesquisa.
Pesquisa faz parte do processo
democrático e pode ajudar a compreender determinado cenário, desde que sejam
observados metodologia, período, amostra, margem de erro e universo pesquisado.
O problema está em transformar
pesquisa em propaganda antecipada de uma realidade que ainda precisa ser
construída nas urnas.
Na política, número também pode ser
narrativa.
E uma pesquisa mostrando determinado
candidato à frente em uma cidade não significa, automaticamente, que ele tenha
votos suficientes para vencer uma eleição estadual ou federal.
No fim das contas, cada município
tem seus votos, cada região tem suas forças políticas e a eleição acontece no
conjunto do estado.
Por isso, antes de comemorar qualquer
pesquisa como se ela fosse resultado de eleição, vale fazer uma pergunta
simples:
Esse candidato tem apenas números em
sua terra ou já construiu uma estrutura política capaz de buscar votos muito
além dela?
Porque, em eleição proporcional, 20 mil votos podem fazer muito barulho em uma cidade ou região, mas esses vtos não será de um só candidato.
Ate por que a urna estadual exige muito mais do que barulho. Exige votos espalhados pelo Rio Grande do Norte, não apenas na sua terra diante deste quantitativo.
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