quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Alto do Rodrigues: na coleta de lixo, a conta não fecha — e o caminhão da pergunta continua passando nas ruas

 


Quando o assunto é fazer discurso agressivo contra lideranças que não compactuam com seu “jeito particular” de governar, a prefeita do Alto do Rodrigues, Dra. Raquel, parece não economizar nas indiretas pelas redes sociais.

Mas

Quando a conversa muda para números, contratos e dinheiro público, o silêncio parece ser maior que o barulho dos caminhões de lixo.

Segundo levantamento citado pelo blog, o município de Alto do Rodrigues contratou a empresa Plano A Serviços Ltda. pelo valor de R$ 8.611.882,86, com estimativa mensal de R$ 714.656,90, para atender uma população de aproximadamente 12.484 habitantes.

Na ponta do lápis, isso representa cerca de R$ 59,66 por habitante por mês.

E é justamente aí que começa a parte curiosa — para não dizer esdrúxula — dessa história.

Comparando

Uma comparação com outros municípios mostra uma realidade bastante diferente. Assú, município de maior porte, possui contrato informado pelo levantamento com a empresa Tecnal Tecnologia Ambiental em Aterros Sanitários Ltda., no valor de R$ 17.683.545,09, atendendo cerca de 59.099 habitantes. Apesar de gastar mais de R$ 1,5 milhão por mês em termos absolutos, o custo estimado fica em aproximadamente R$ 26,75 por habitante.

Na mesma comparação, Carnaubais aparece com R$ 29,10 por habitante; Triunfo Potiguar, R$ 23,62; e Macau, R$ 7,94.

Ou seja

Alto do Rodrigues, uma cidade pequena, aparece com um custo por habitante muito superior ao de municípios maiores.

E aí vem a pergunta que não quer calar: por que custa tão caro recolher o lixo do Alto do Rodrigues?

Não se está dizendo, aqui, que exista irregularidade. A questão é outra, e muito mais simples: se o dinheiro é público, a população tem o direito de saber por que a conta é tão alta.

Porque, pelo que os números indicam, no Alto do Rodrigues o lixo pode até ser pequeno, mas a conta ficou grande.

Muito grande

E enquanto a prefeita encontra tempo e disposição para mandar indiretas contra quem pensa diferente, talvez fosse interessante reservar alguns minutos para explicar diretamente aos moradores como se chegou a um contrato de R$ 8,6 milhões e por que o custo por habitante é tão distante daquele registrado em outros municípios.

No mundo da política, indireta pode até render curtida.

Mas, quando se trata de dinheiro público, o que a população espera é explicação, transparência e números na mesa. Afinal, no Alto do Rodrigues, aparentemente, o caminhão da coleta passa levando o lixo — mas deixa uma pergunta enorme estacionada na porta da Prefeitura.