quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Coisas do Brasil: Novo piso de merendeiras, auxiliares de limpeza, porteiros e secretários escolares pode chegar a R$ 3.847,97 e superar salários de outras categorias com nivel superior

 



Enquanto os municípios sofrem na teoria para honrar compromissos, uma proposta aprovada no Senado prevê remuneração mínima nacional para merendeiras, auxiliares de limpeza e secretários escolares.

Se virar lei, o novo piso poderá colocar esses trabalhadores em uma faixa salarial superior à de diversas profissões de nível superior, levantando um debate sobre a valorização e a política de remuneração no serviço público.

A valorização dos profissionais da educação básica está no centro de uma discussão que pode provocar mudanças importantes na estrutura salarial do serviço público brasileiro. A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado aprovou o Projeto de Lei 2.531/2021, que estabelece um piso salarial nacional para os trabalhadores que exercem funções de apoio nas escolas públicas.

A proposta prevê que profissionais como merendeiras, auxiliares de limpeza, porteiros e secretários escolares recebam, no mínimo, 75% do piso nacional do magistério. Considerando o valor de R$ 5.130,63 informado na proposta, a remuneração mínima chegaria a R$ 3.847,97 para uma jornada de até 40 horas semanais, desde que atendidos os critérios previstos no projeto.

A iniciativa é importante porque reconhece trabalhadores que, embora muitas vezes não apareçam como protagonistas nas políticas educacionais, são indispensáveis para o funcionamento das escolas.

Mas existe outro aspecto que merece atenção: o impacto dessa nova referência salarial quando comparada à remuneração de outras categorias profissionais.

Um piso maior que o de muitas profissões de nível superior?

O ponto que merece uma reflexão mais aprofundada é a comparação salarial. Caso o projeto seja aprovado definitivamente e sancionado pelo presidente Lula, trabalhadores de apoio da educação poderão ter vencimento inicial de R$ 3.847,97, valor que poderá superar a remuneração inicial de profissionais com formação universitária em determinadas redes públicas e municípios.

É o caso de categorias como:

  • Psicólogos;
  • Jornalistas;
  • Nutricionistas;
  • Terapeutas ocupacionais;
  • Assistentes sociais;
  • Outros profissionais de nível superior.

É importante fazer uma ressalva: essas profissões não possuem uma remuneração nacional única para todos os trabalhadores do serviço público. Os salários variam conforme legislação, jornada, plano de carreira e município. Portanto, a comparação não significa que todos esses profissionais recebam menos, mas evidencia uma possível distorção nas estruturas remuneratórias de determinadas administrações públicas.

A discussão não deve ser interpretada como desvalorização dos trabalhadores da educação. Merendeiras, auxiliares de serviços gerais e secretários escolares merecem reconhecimento e remuneração digna. O questionamento é outro: como estabelecer uma política salarial equilibrada, capaz de valorizar todas as categorias, inclusive aquelas que exigem formação superior e especialização?

Quem vai pagar essa conta?

Outro ponto que merece atenção é o impacto financeiro para estados e municípios.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima que a implantação do piso poderá gerar um custo adicional de aproximadamente R$ 20,1 bilhões por ano para os municípios brasileiros.

O senador Esperidião Amin já manifestou preocupação com a ausência de uma avaliação financeira mais aprofundada. A matéria seguirá para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde deverá ser discutida a capacidade de financiamento da medida.

Confederação Nacional de Municípios+2

Ainda não é lei

Apesar da aprovação na Comissão de Educação e Cultura, o projeto ainda não está valendo. O PL 2.531/2021 precisa avançar na tramitação do Senado e cumprir as demais etapas legislativas antes de chegar à sanção presidencial.

Portanto, não há ainda obrigação de pagamento desse valor pelos governos municipais.

A valorização de uma categoria profissional não deveria significar o esquecimento de outra. O Brasil precisa reconhecer quem trabalha dentro das escolas, mas também precisa discutir a política salarial de maneira responsável, considerando formação, atribuições, jornada, responsabilidade profissional e capacidade financeira dos entes públicos.