quinta-feira, 5 de novembro de 2026

CEI DA CÂMARA DE NATAL SOBRE BURACOS DEIXADOS PELA CAERN DEVE SERVIR DE ALERTA PARA TODO O RN

 


Problema que afeta a capital potiguar também castiga os municípios do interior. É preciso cobrar responsabilidade e recuperação das vias públicas após intervenções da companhia.

A iniciativa da Câmara Municipal de Natal merece atenção de todo o Rio Grande do Norte. A instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os buracos e as valas deixados nas ruas da capital após intervenções da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) abre um importante precedente para que outros municípios também cobrem providências.

Afinal, o problema não é exclusividade de Natal. Em diversas cidades do interior potiguar, moradores convivem com ruas danificadas, pavimentação comprometida e transtornos provocados por serviços realizados pela companhia, muitas vezes sem que a recuperação adequada aconteça em prazo razoável.

Entenda a questão

No dia 29 de setembro, a Câmara Municipal de Natal instalou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a abertura e a reincidência de buracos, a demora na recuperação do pavimento e possíveis prejuízos ao patrimônio público decorrentes das obras executadas pela Caern.

Um dos pontos centrais da investigação é o cumprimento da Lei Municipal nº 8.041/2026, que estabelece prazo de até 72 horas, após o encerramento dos serviços, para a recuperação definitiva do pavimento.

A CEI será presidida pela vereadora Anne Lagartixa (PL), tendo como vice-presidente o vereador Subtenente Eliabe (PL) e como relator Matheus Faustino (União Brasil). Também integram a comissão os vereadores Daniell Rendall (Republicanos) e Cláudio Custódio (PP).

O grupo terá 120 dias para concluir os trabalhos, com possibilidade de prorrogação por mais 120 dias, totalizando até 240 dias de investigação.

Além da Caern, a comissão pretende analisar a atuação das secretarias municipais de Serviços Urbanos (Semsur) e de Infraestrutura (Seinfra), responsáveis pelo acompanhamento das intervenções.

Procurada pelo g1, a Caern informou que não iria se pronunciar naquele momento.

E o interior do RN, vai continuar convivendo com esse problema?

A iniciativa do Legislativo natalense precisa servir de referência para as demais câmaras municipais do Rio Grande do Norte. Não é razoável que uma companhia execute intervenções nas ruas, abra valas, comprometa a pavimentação e deixe para a população a conta dos transtornos causados pela demora na recuperação das vias.

Em municípios como Macau, Guamaré, Pendências, Areia Branca e tantas outras cidades da região salineira, a realidade também exige atenção. Cabe aos vereadores cobrar providências e verificar se os serviços estão sendo realizados de acordo com as normas municipais.

Cada município precisa observar a existência de legislação própria que estabeleça prazos e responsabilidades para a recomposição do pavimento. Onde houver previsão legal, que seja cumprida. Onde não houver regulamentação adequada, cabe ao Legislativo discutir medidas que garantam a proteção do patrimônio público e o direito de ir e vir da população.

Afinal, abrir uma rua para realizar um serviço público não significa ter autorização para deixá-la esburacada.

A população paga seus impostos, precisa de ruas em boas condições e não pode continuar sendo penalizada pela falta de planejamento ou responsabilidade na execução desses serviços.

Que a CEI instalada em Natal não seja apenas mais uma investigação restrita à capital, mas um alerta para todo o Rio Grande do Norte. O problema está presente em muitos municípios e precisa deixar de ser tratado como algo normal.

Fiscalizar é obrigação do Legislativo. Recuperar o que foi danificado é responsabilidade de quem executa o serviço. A população não pode continuar pagando essa conta.