quarta-feira, 21 de outubro de 2026

RN tem a quarta maior proporção de trabalhadores na escala 6x1 do Nordeste; 141,4 mil vínculos são afetados e presidente Lula explica

 


O Rio Grande do Norte ocupa a quarta posição entre os estados do Nordeste com maior proporção de trabalhadores formais submetidos à escala 6x1, regime em que o empregado trabalha seis dias consecutivos para ter um dia de descanso. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com referência a dezembro de 2025.

Dos 473,7 mil vínculos formais registrados no estado, 141,4 mil estão enquadrados nessa jornada, o equivalente a 29,89% do total. O percentual potiguar supera a média do Nordeste, que é de 28,50%, e evidencia o alcance que uma eventual mudança na legislação trabalhista poderá ter sobre os trabalhadores do estado.

No ranking regional, o Rio Grande do Norte fica atrás de Alagoas, com 32,9%; Bahia, com 32,52%; e Sergipe, com 30,9%.

Em todo o Brasil, 14,7 milhões dos 44,5 milhões de trabalhadores com vínculo formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estavam submetidos à escala 6x1, o equivalente a 33,2% do total.

Lula defende o fim da escala 6x1 e rebate críticas

A mudança na jornada de trabalho também está no centro do debate político nacional. Na última sexta-feira, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, afirmou a empresários em Juiz de Fora (MG) que “ninguém vai ter prejuízo com o fim da escala 6x1”.

Durante a manifestação, Lula também criticou seu adversário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), acusando-o de querer enfraquecer os direitos trabalhistas.

“Eles querem destruir todos os direitos trabalhistas, porque eles não representam os interesses do povo trabalhador”, declarou o presidente.

Mudança pode alcançar milhares de trabalhadores potiguares

A discussão sobre o fim da escala 6x1 envolve diretamente 141,4 mil vínculos formais no Rio Grande do Norte, segundo os números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

A proposta em debate prevê dois dias de descanso semanal e a redução gradual da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais. A implementação e os efeitos da mudança dependerão do texto legal aprovado e das regras de transição estabelecidas.

Para os trabalhadores potiguares, a discussão vai além dos números: envolve qualidade de vida, tempo para a família e condições de trabalho. Para os empregadores, o desafio é adaptar as jornadas sem comprometer a organização das atividades e os custos de funcionamento.