A corrida pelo Governo do Rio Grande
do Norte ganhou uma mudança importante a poucos dias do primeiro turno. O
Diretório Estadual do PSOL decidiu, na noite desta quarta-feira (30), retirar a
candidatura do professor Robério Paulino e declarar apoio a Cadu de Lula (PT).
Segundo o próprio PSOL, a decisão foi
tomada por ampla maioria do diretório e contou com a concordância de Robério
Paulino. A legenda também anunciou a retirada da candidatura de Lenny Grilo.
Qual é a estratégia do PSOL?
A justificativa apresentada pelo
partido é essencialmente eleitoral: concentrar forças em Cadu de Lula para
tentar impedir que o segundo turno no RN seja disputado por dois candidatos que
o PSOL classifica, em sua nota, como de direita — Allyson Bezerra (União
Brasil) e Álvaro Dias (PL).
O partido também relacionou a decisão
à disputa presidencial. Na nota, o PSOL afirma que pretende evitar um cenário
que, segundo sua avaliação, poderia criar um palanque para Flávio Bolsonaro em
um eventual segundo turno nacional. Essa é uma posição política expressamente
apresentada pelo partido, e não uma conclusão independente.
O cenário das pesquisas
A movimentação acontece justamente
quando a disputa pelas duas vagas do segundo turno está concentrada entre Cadu,
Allyson e Álvaro.
A pesquisa AtlasIntel divulgada em 29
de setembro apresentou Cadu com 37,1%, Álvaro Dias com 27,3% e
Allyson Bezerra com 27,1%. Robério Paulino apareceu com 0,2%
nesse levantamento. Foram entrevistadas 1.207 pessoas entre 23 e 28 de
setembro.
Já a pesquisa Quaest divulgada em 25
de setembro mostrou um cenário diferente: Allyson aparecia com 39%, Cadu
com 21% e Álvaro com 18%.
Ou seja, as pesquisas divulgadas na
reta final apresentam fotografias diferentes da disputa, especialmente em
relação à segunda vaga do segundo turno.
A saída de Robério pode mudar o jogo?
É justamente essa a aposta política do
PSOL.
Com a retirada da candidatura, o
partido passa a orientar seus filiados e simpatizantes a apoiar Cadu de Lula.
Mas é importante separar a decisão partidária de uma certeza sobre o
comportamento do eleitorado: não é possível afirmar que todos os eleitores
de Robério migrarão automaticamente para Cadu.
O que muda objetivamente é o cenário
político da esquerda potiguar, que passa a ter uma candidatura a menos na
disputa e uma declaração formal de apoio do PSOL ao candidato do PT.
A decisão ocorre a apenas quatro
dias do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro, tornando a
movimentação uma das últimas alterações relevantes na composição política da
eleição para o Governo do RN.
Em resumo: o PSOL deixa de disputar o Governo do
Estado com Robério Paulino e passa a atuar pela candidatura de Cadu de Lula. A
justificativa oficial é evitar um segundo turno entre Allyson Bezerra e Álvaro
Dias e, na avaliação da legenda, fortalecer o campo político identificado pelo
partido como de esquerda.
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