O discurso do prefeito de Natal,
Paulinho Freire, para justificar seu apoio ao candidato Allyson Bezerra, ao
afirmar que a capital precisa de um governo alinhado com seus interesses,
levanta questionamentos sobre a coerência desse argumento.
Afinal, insinuar que o projeto
político do PT não tem Natal como prioridade é uma afirmação que precisa ser
confrontada com fatos, ações e resultados concretos. Na avaliação deste
jornalista, seria mais transparente reconhecer que o projeto petista talvez não
esteja alinhado aos seus interesses políticos e pessoais. Isso é legítimo no
jogo democrático. O que não parece razoável é tentar transformar uma
divergência política em uma suposta falta de compromisso com a capital.
Afinal, quem define o que é melhor
para Natal: o discurso de um grupo político ou os resultados efetivamente
entregues à população?
A discussão exige coerência. Se o
argumento é a defesa dos interesses da capital, cabe perguntar quais
compromissos concretos estão sendo apresentados e quais resultados sustentam
essa narrativa. O mesmo critério deve valer para todos os grupos políticos,
inclusive para o próprio prefeito e seus aliados.
Paulinho Freire tem todo o direito de
apoiar Allyson Bezerra. A escolha faz parte da democracia e das articulações
políticas. O questionamento está na justificativa apresentada para sustentar
esse apoio.
Apoiar um candidato é uma escolha
política. Afirmar que outro projeto não atende aos interesses de Natal é uma
acusação que exige fundamentação.
No debate público, não basta repetir
que a capital precisa de alinhamento político. É necessário explicar
alinhamento com quais propostas, para atender a quais demandas e com quais
benefícios concretos para os natalenses.
No fim das contas, o eleitor tem o
direito de cobrar menos retórica e mais compromisso com os problemas reais da
cidade. O que o prefeito Paulinho fez na tarde desta terça-feira não foi compromisso
com Natal, muito pelo contrário; foi compromisso com seus interesses.
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