| Esse é sinal de rejeição?...Governadora elege Samanda e coloca Cadu no segundo turno |
Após o resultado das urnas no Rio
Grande do Norte, uma discussão que parecia definida por parte dos institutos de
pesquisa volta ao centro do debate político: afinal, existe mesmo uma
rejeição tão grande à governadora Fátima Bezerra quanto os números de algumas
pesquisas eleitorais apontavam?
A pergunta merece ser feita.
É preciso lembrar que Fátima Bezerra
já enfrentou esse tipo de cenário anteriormente. Em 2022, mesmo diante de um
ambiente político marcado por críticas à sua gestão e por índices elevados de
rejeição apontados em pesquisas, a governadora conseguiu ser reeleita ainda
no primeiro turno, com uma votação expressiva.
Agora, novamente, o resultado das
urnas provoca uma reflexão.
Mesmo com pesquisas apontando índices
de rejeição próximos dos 60%, Fátima conseguiu participar diretamente de
uma estratégia eleitoral que produziu resultados importantes: elegeu sua
candidata ao Senado e levou seu candidato ao Governo do Estado para o segundo
turno, mesmo tendo apresentado esse nome praticamente aos "45 do
segundo tempo" da disputa.
E aqui está o ponto que merece
análise.
Pesquisa eleitoral mede um determinado
momento da opinião pública. Urna, porém, mede a decisão efetiva do eleitor.
São instrumentos diferentes e que podem apresentar resultados distintos.
Não significa dizer que a rejeição
apontada pelas pesquisas não exista. Ela pode existir e ser relevante. Mas o
resultado eleitoral demonstra que, quando chega o momento de apertar o botão e
escolher seus candidatos, uma parcela significativa do eleitorado potiguar
não necessariamente transforma essa rejeição em voto contrário ao grupo
político liderado por Fátima.
A política, portanto, não pode ser
analisada apenas pela fotografia das pesquisas.
É preciso observar também a capacidade
de articulação, a força dos grupos políticos, a transferência de votos, a
avaliação das administrações, a estrutura partidária e, principalmente, aquilo
que o eleitor efetivamente fez diante da urna.
Fátima pode ter rejeição?
Evidentemente, como qualquer governante que passou anos no poder.
Mas a pergunta que o resultado
eleitoral coloca é outra:
Essa rejeição é realmente do tamanho
que alguns números de pesquisas vêm apresentando ou existe uma diferença
significativa entre a rejeição declarada pelo eleitor e o comportamento desse
mesmo eleitor na hora do voto?
O resultado das urnas não encerra essa
discussão. Pelo contrário.
Ele acaba de reabri-la.
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