quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Fátima tem mesmo a rejeição que as pesquisas apontam? O resultado das urnas reacende o debate no RN ao mostrar outro cenário

 

Esse é  sinal de rejeição?...Governadora elege Samanda e coloca Cadu no segundo turno

Após o resultado das urnas no Rio Grande do Norte, uma discussão que parecia definida por parte dos institutos de pesquisa volta ao centro do debate político: afinal, existe mesmo uma rejeição tão grande à governadora Fátima Bezerra quanto os números de algumas pesquisas eleitorais apontavam?

A pergunta merece ser feita.

É preciso lembrar que Fátima Bezerra já enfrentou esse tipo de cenário anteriormente. Em 2022, mesmo diante de um ambiente político marcado por críticas à sua gestão e por índices elevados de rejeição apontados em pesquisas, a governadora conseguiu ser reeleita ainda no primeiro turno, com uma votação expressiva.

Agora, novamente, o resultado das urnas provoca uma reflexão.

Mesmo com pesquisas apontando índices de rejeição próximos dos 60%, Fátima conseguiu participar diretamente de uma estratégia eleitoral que produziu resultados importantes: elegeu sua candidata ao Senado e levou seu candidato ao Governo do Estado para o segundo turno, mesmo tendo apresentado esse nome praticamente aos "45 do segundo tempo" da disputa.

E aqui está o ponto que merece análise.

Pesquisa eleitoral mede um determinado momento da opinião pública. Urna, porém, mede a decisão efetiva do eleitor. São instrumentos diferentes e que podem apresentar resultados distintos.

Não significa dizer que a rejeição apontada pelas pesquisas não exista. Ela pode existir e ser relevante. Mas o resultado eleitoral demonstra que, quando chega o momento de apertar o botão e escolher seus candidatos, uma parcela significativa do eleitorado potiguar não necessariamente transforma essa rejeição em voto contrário ao grupo político liderado por Fátima.

A política, portanto, não pode ser analisada apenas pela fotografia das pesquisas.

É preciso observar também a capacidade de articulação, a força dos grupos políticos, a transferência de votos, a avaliação das administrações, a estrutura partidária e, principalmente, aquilo que o eleitor efetivamente fez diante da urna.

Fátima pode ter rejeição? Evidentemente, como qualquer governante que passou anos no poder.

Mas a pergunta que o resultado eleitoral coloca é outra:

Essa rejeição é realmente do tamanho que alguns números de pesquisas vêm apresentando ou existe uma diferença significativa entre a rejeição declarada pelo eleitor e o comportamento desse mesmo eleitor na hora do voto?

O resultado das urnas não encerra essa discussão. Pelo contrário.

Ele acaba de reabri-la.