terça-feira, 27 de outubro de 2026

Cadu Xavier promete equilíbrio fiscal e cobra maior contribuição dos Poderes

 


O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), já sinaliza os principais desafios que terá pela frente a partir de janeiro de 2027. E o maior deles tem nome e sobrenome: um déficit previdenciário que, segundo ele, chega perto de R$ 200 milhões por mês.

Em entrevista à Jovem Pan News Natal, nesta terça-feira (27), Cadu defendeu que os Poderes estaduais, entre eles o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o Tribunal de Contas, discutam uma participação maior no financiamento da Previdência estadual. O argumento é que os servidores dessas instituições também se aposentam pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipern).

O governador eleito afirma que pretende buscar o equilíbrio das contas sem transformar o servidor público em culpado pela crise. A proposta é fazer a arrecadação crescer mais do que as despesas. Resta saber como esse objetivo será colocado em prática diante do tamanho do rombo financeiro.

Salários e obras também entram na pauta

Cadu reconheceu que algumas funções estratégicas do Estado, como a direção de grandes hospitais, têm remuneração baixa diante da responsabilidade exigida. Defendeu discutir a valorização desses profissionais, mas sem ignorar a realidade de quem vive com um salário mínimo.

Na infraestrutura, a terceira ponte sobre o Rio Potengi, estimada entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, dependerá de articulação e recursos federais. A duplicação da BR-304 e o hospital metropolitano também estão entre as prioridades anunciadas.

Governo terá a marca de Cadu

Ao falar sobre sua relação com a governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu demonstrou gratidão e lealdade à antecessora, mas deixou claro que pretende imprimir seu próprio estilo à administração. “O governador eleito fui eu”, afirmou, numa sinalização de autonomia política.

Ele também disse que não fechará as portas para indicações de deputados, desde que os nomes atendam a três critérios: honestidade, capacidade técnica e sensibilidade social.

Concursos, saúde e segurança

A recomposição dos efetivos da segurança pública, saúde e educação dependerá da capacidade financeira do Estado. Cadu evitou prometer um número de convocações e afirmou que pretende avaliar a situação de cada área antes de tomar decisões.

Na saúde, anunciou que quer um diagnóstico detalhado da fila de cirurgias eletivas, que, segundo ele, reúne aproximadamente 20 mil pessoas. A transição também deverá levantar a situação de todas as secretarias, identificando problemas e prioridades.

O petista ainda prometeu dialogar com prefeitos, deputados e lideranças de diferentes campos políticos, além de discutir a adaptação dos incentivos fiscais à reforma tributária e a redução da burocracia no licenciamento ambiental.

O discurso está feito. Agora, vêm os resultados.

Cadu Xavier assume com desafios que exigem mais do que articulação política e boas intenções. O déficit previdenciário, a necessidade de investimentos, as filas na saúde e a recomposição dos servidores cobram respostas concretas.

O novo governador diz que pretende deixar para trás as disputas eleitorais e trabalhar pelo Rio Grande do Norte. A população, por sua vez, espera que as promessas de campanha se transformem em ações, com transparência, responsabilidade fiscal e serviços públicos que funcionem de verdade.