O governador eleito do Rio Grande do
Norte, Cadu Xavier (PT), já sinaliza os principais desafios que terá pela
frente a partir de janeiro de 2027. E o maior deles tem nome e sobrenome: um
déficit previdenciário que, segundo ele, chega perto de R$ 200 milhões por mês.
Em entrevista à Jovem Pan News Natal,
nesta terça-feira (27), Cadu defendeu que os Poderes estaduais, entre eles o
Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o Tribunal de Contas, discutam uma
participação maior no financiamento da Previdência estadual. O argumento é que
os servidores dessas instituições também se aposentam pelo Instituto de
Previdência dos Servidores do Estado (Ipern).
O governador eleito afirma que
pretende buscar o equilíbrio das contas sem transformar o servidor público em
culpado pela crise. A proposta é fazer a arrecadação crescer mais do que as
despesas. Resta saber como esse objetivo será colocado em prática diante do
tamanho do rombo financeiro.
Salários e obras também entram na
pauta
Cadu reconheceu que algumas funções
estratégicas do Estado, como a direção de grandes hospitais, têm remuneração
baixa diante da responsabilidade exigida. Defendeu discutir a valorização
desses profissionais, mas sem ignorar a realidade de quem vive com um salário
mínimo.
Na infraestrutura, a terceira ponte
sobre o Rio Potengi, estimada entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, dependerá
de articulação e recursos federais. A duplicação da BR-304 e o hospital
metropolitano também estão entre as prioridades anunciadas.
Governo terá a marca de Cadu
Ao falar sobre sua relação com a
governadora Fátima Bezerra (PT), Cadu demonstrou gratidão e lealdade à
antecessora, mas deixou claro que pretende imprimir seu próprio estilo à
administração. “O governador eleito fui eu”, afirmou, numa sinalização de autonomia
política.
Ele também disse que não fechará as
portas para indicações de deputados, desde que os nomes atendam a três
critérios: honestidade, capacidade técnica e sensibilidade social.
Concursos, saúde e segurança
A recomposição dos efetivos da
segurança pública, saúde e educação dependerá da capacidade financeira do
Estado. Cadu evitou prometer um número de convocações e afirmou que pretende
avaliar a situação de cada área antes de tomar decisões.
Na saúde, anunciou que quer um
diagnóstico detalhado da fila de cirurgias eletivas, que, segundo ele, reúne
aproximadamente 20 mil pessoas. A transição também deverá levantar a situação
de todas as secretarias, identificando problemas e prioridades.
O petista ainda prometeu dialogar com
prefeitos, deputados e lideranças de diferentes campos políticos, além de
discutir a adaptação dos incentivos fiscais à reforma tributária e a redução da
burocracia no licenciamento ambiental.
O discurso está feito. Agora, vêm os
resultados.
Cadu Xavier assume com desafios que
exigem mais do que articulação política e boas intenções. O déficit
previdenciário, a necessidade de investimentos, as filas na saúde e a
recomposição dos servidores cobram respostas concretas.
O novo governador diz que pretende
deixar para trás as disputas eleitorais e trabalhar pelo Rio Grande do Norte. A
população, por sua vez, espera que as promessas de campanha se transformem em
ações, com transparência, responsabilidade fiscal e serviços públicos que
funcionem de verdade.
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