quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Após confusão na UFRN, MPF vai apurar atos de intimidação em universidades

 


O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta terça-feira 20 que abriu um procedimento para investigar episódios de “intimidação, censura e ameaças à liberdade de reunião e de expressão” da comunidade acadêmica do Rio Grande do Norte durante o período eleitoral.

A medida foi anunciada um dia depois do confronto entre participantes de uma manifestação bolsonarista e estudantes ligados à esquerda na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal. O episódio também foi encaminhado para análise nas áreas eleitoral e criminal do órgão.

Conduzida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), a apuração abrange os fatos registrados na UFRN e também no câmpus de Apodi do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró.

O documento de abertura do procedimento menciona relatos de manifestações que estariam sendo alvo de “supostas tentativas de bloqueio, com remoção de cartazes e faixas, incitamento à violência; e uso indevido de prerrogativas de autoridade”. Na comunicação divulgada nesta terça-feira, o MPF não individualizou as responsabilidades pelas condutas relatadas nem detalhou os acontecimentos registrados em Apodi e Mossoró.

As três instituições receberam ofícios com pedidos de informações. Elas deverão apresentar dados sobre as ocorrências e esclarecer “quais medidas de proteção foram adotadas”, além de informar as eventuais regras internas para a realização de manifestações. As respostas deverão subsidiar a apuração sobre as condições de exercício das liberdades de expressão e de reunião nos ambientes acadêmicos durante a disputa eleitoral.

Ao tratar especificamente da confusão na UFRN, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão informou que encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral e ao Núcleo Criminal da Procuradoria da República no Rio Grande do Norte. A providência foi tomada, segundo o comunicado, diante da “prática de atos violentos e danosos ao patrimônio público”, para a “adoção das medidas cabíveis”.