quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A inconsequência de um pai na formação do próprio filho; MP apura caso de criança vista com objeto semelhante a arma

 


O caso da criança filmada sobre o teto de um carro, durante uma comemoração após as eleições em Parnamirim, segurando um objeto semelhante a uma arma de fogo, precisa ser analisado muito além da repercussão nas redes sociais.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte e a Polícia Civil já investigam o episódio. O Conselho Tutelar também foi acionado e orientou que a criança seja acompanhada por um profissional de psicologia.

Até aqui, é importante deixar claro: a natureza do objeto ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades. A mãe afirmou que se tratava de uma arma de brinquedo, presente dado pelo pai.

E é justamente aí que surge a questão que precisa ser feita.

Que tipo de mensagem um pai transmite ao próprio filho quando entrega a uma criança um objeto semelhante a uma arma e permite que ela apareça em público, em cima de um carro, no meio de uma multidão, exibindo aquilo?

Não se trata apenas de uma brincadeira.

Criança aprende, principalmente, pelo exemplo. É dentro de casa que começa a formação de valores, limites, responsabilidade e respeito ao próximo. O que para um adulto pode parecer apenas uma brincadeira ou uma forma de diversão pode, para uma criança, representar uma mensagem completamente diferente sobre violência, poder e comportamento social.

Pai não é apenas aquele que coloca comida na mesa, paga uma conta ou dá um presente.

Pai também é aquele que ensina quando dizer sim e, principalmente, quando dizer não.

Quem deveria saber o que estava fazendo era o adulto que estava responsável por ele.

A separação dos pais, mencionada no caso, também não pode servir como justificativa. Pais separados continuam tendo a mesma responsabilidade na formação dos filhos. E quando um deles está responsável pela criança, espera-se que tenha discernimento suficiente para protegê-la e estabelecer limites.

O episódio deve servir como reflexão para todos nós.

Mas fica uma pergunta para os adultos:

Que exemplo estamos dando às nossas crianças?

Porque aquilo que uma criança aprende hoje pode determinar muito do adulto que ela será amanhã.

E, nesse caso, talvez a maior lição não seja para o menino.

Seja para o pai.