O caso da criança filmada sobre o teto
de um carro, durante uma comemoração após as eleições em Parnamirim, segurando
um objeto semelhante a uma arma de fogo, precisa ser analisado muito além da
repercussão nas redes sociais.
O Ministério Público do Rio Grande do
Norte e a Polícia Civil já investigam o episódio. O Conselho Tutelar também foi
acionado e orientou que a criança seja acompanhada por um profissional de
psicologia.
Até aqui, é importante deixar claro: a
natureza do objeto ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades.
A mãe afirmou que se tratava de uma arma de brinquedo, presente dado pelo pai.
E é justamente aí que surge a questão
que precisa ser feita.
Que tipo de mensagem um pai transmite
ao próprio filho quando entrega a uma criança um objeto semelhante a uma arma e
permite que ela apareça em público, em cima de um carro, no meio de uma
multidão, exibindo aquilo?
Não se trata apenas de uma
brincadeira.
Criança aprende, principalmente, pelo
exemplo. É dentro de casa que começa a formação de valores, limites,
responsabilidade e respeito ao próximo. O que para um adulto pode parecer
apenas uma brincadeira ou uma forma de diversão pode, para uma criança, representar
uma mensagem completamente diferente sobre violência, poder e comportamento
social.
Pai não é apenas aquele que coloca
comida na mesa, paga uma conta ou dá um presente.
Pai também é aquele que ensina quando
dizer sim e, principalmente, quando dizer não.
Quem deveria saber o que estava
fazendo era o adulto que estava responsável por ele.
A separação dos pais, mencionada no
caso, também não pode servir como justificativa. Pais separados continuam tendo
a mesma responsabilidade na formação dos filhos. E quando um deles está
responsável pela criança, espera-se que tenha discernimento suficiente para
protegê-la e estabelecer limites.
O episódio deve servir como reflexão
para todos nós.
Mas fica uma pergunta para os adultos:
Que exemplo estamos dando às nossas
crianças?
Porque aquilo que uma criança aprende
hoje pode determinar muito do adulto que ela será amanhã.
E, nesse caso, talvez a maior lição
não seja para o menino.
Seja para o pai.
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