quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Em Pendências, a fiscalização legislativa precisa valer para todos, ou não?....

 


Entre faltas de vereadores e gastos com pessoal, fica uma pergunta: onde está a mesma disposição fiscalizatória?

Quando se fala nos bastidores da política legislativa de Pendências, há quem interprete as recentes querelas públicas como reflexo de uma disputa política mais ampla. Fala-se, inclusive, em possível revanchismo político. Mas, nesse caso, é preciso separar as versões políticas dos fatos documentados.

Veja bem

A Câmara Municipal de Pendências chamou a atenção da sociedade ao determinar a apuração das faltas de vereadores. O procedimento está formalizado e pode, conforme a legislação municipal e depois do direito de defesa, resultar na declaração de extinção do mandato caso sejam confirmadas as condições previstas na Lei Orgânica. No caso de Welliedna de Figueredo Pereira, a própria portaria da Câmara registra 11 ausências computáveis em 32 sessões ordinárias realizadas em 2025.

A iniciativa, naturalmente, pode ser apresentada como uma demonstração de zelo e preocupação da base oposicionista com o funcionamento do Legislativo. Afinal, fiscalizar a presença dos parlamentares também faz parte das atribuições de uma Casa Legislativa. 

Mas surge uma questão que merece ser feita:

Se existe disposição para fiscalizar rigorosamente a frequência dos vereadores, por que não existe a mesma intensidade de fiscalização sobre os gastos da própria Câmara?

Segundo os números apresentados no debate público sobre as contas do Legislativo, haveria uma despesa de aproximadamente R$ 1,62 milhão com pessoal em apenas oito meses, representando 68,55% da despesa total com pessoal.

Esse número, caso confirmado nos demonstrativos oficiais correspondentes, merece a mesma atenção, o mesmo questionamento e a mesma transparência que estão sendo exigidos dos vereadores investigados.

Portanto

Não se trata de defender vereador que falta às sessões. Se a legislação estabelece frequência mínima, a regra deve ser cumprida e o procedimento deve assegurar contraditório e ampla defesa — exatamente como prevê a portaria que instaurou a apuração.

Mas , um detalhe; fiscalização não pode funcionar com dois pesos e duas medidas.

Veja bem

O cidadão de Pendências também tem o direito de saber quanto a Câmara gasta com pessoal, quantos servidores estão lotados na Casa, quais são os cargos existentes, quais remunerações são pagas, quantas contratações foram realizadas e se todas essas despesas estão de acordo com a legislação e com os limites fiscais.

Aliás, a própria Câmara aprovou em 2026 uma legislação que reorganiza seu quadro de pessoal, cria cargos efetivos e autoriza contratações temporárias.

Portanto, a pergunta que fica não é contra a fiscalização das faltas dos vereadores.

Muito pelo contrário: fiscalizar é necessário. Nesse sentido os edis estão de parabens.

Mas a  pergunta é outra:

Por que a mesma disposição demonstrada para investigar a frequência dos vereadores não deveria ser aplicada também à análise detalhada das despesas com pessoal da própria Câmara Municipal?

Se há irregularidade na frequência parlamentar, que se apure.

Se não há irregularidade, que se esclareça.

E se existem dúvidas sobre os gastos públicos do Legislativo, que também sejam investigadas.

Porque, no fim das contas, o dinheiro é público, a Câmara é do povo e a fiscalização deve alcançar todos os lados.

Com a palavra, a Câmara Municipal de Pendências...