terça-feira, 22 de setembro de 2026

Cadu Xavier e os recursos do PT: entenda a estratégia adotada pelo partido

 


A falta de recursos na campanha de Cadu Xavier ao Governo do Rio Grande do Norte chamou atenção e alimentou questionamentos dentro e fora do grupo político que apoia o candidato. Mas uma matéria publicada pelo Território Livre apresenta um elemento que precisa ser considerado antes de qualquer conclusão: o problema pode não ser exclusivamente Cadu, mas uma estratégia nacional de distribuição dos recursos do PT.

Segundo a publicação

A Executiva Nacional do partido decidiu concentrar parte significativa do dinheiro disponível na campanha presidencial de Lula e no fortalecimento das candidaturas petistas ao Congresso Nacional. Com isso, as disputas majoritárias estaduais teriam ficado com uma parcela menor dos recursos.

E os números ajudam a entender o cenário.

Nesta etapa, Cadu recebeu R$ 711,5 mil do PT, o mesmo valor destinado ao governador do Piauí, Rafael Fonteles, que disputa a reeleição. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues recebeu pouco mais de R$ 1,8 milhão, enquanto Elmano de Freitas, no Ceará, ficou com aproximadamente R$ 1,2 milhão.

Portanto

Existe uma justificativa política para o baixo volume de recursos: o PT estaria priorizando uma estratégia nacional, e não necessariamente penalizando exclusivamente a candidatura de Cadu.

Mas há um ponto que não pode ser ignorado.

No próprio Rio Grande do Norte, candidatos a deputado federal do PT receberam valores superiores aos destinados ao candidato do partido ao Governo. Natália Bonavides, Fernando Mineiro e outras candidaturas proporcionais aparecem com repasses acima dos valores destinados a Cadu.

É aí que começa a discussão política.

Se a prioridade do PT é ampliar sua bancada federal e, ao mesmo tempo, fortalecer Lula nacionalmente, a distribuição dos recursos pode ser compreendida dentro dessa lógica. Mas uma campanha majoritária precisa de estrutura, presença no interior, mobilização, comunicação e capacidade de manter uma agenda eleitoral permanente.

E esse talvez seja o ponto mais delicado para Cadu.

Não basta ter o apoio formal do presidente Lula, da governadora Fátima Bezerra e de uma parte significativa do campo político aliado. É preciso transformar esse apoio político em presença eleitoral nos municípios.

Então, a pergunta que fica não é simplesmente se o PT está desprestigiando Cadu Xavier.

A pergunta mais adequada talvez seja outra:

Até que ponto a estratégia nacional de priorizar Lula e as candidaturas proporcionais pode comprometer a estrutura da campanha de Cadu no Rio Grande do Norte?

Essa é uma discussão legítima.

E, considerando que ainda estamos na reta final da campanha, não está descartada a possibilidade de novos repasses. O próprio cenário apresentado pelo Território Livre indica que a distribuição de recursos pode ainda sofrer alterações.