A falta de recursos na campanha de
Cadu Xavier ao Governo do Rio Grande do Norte chamou atenção e alimentou
questionamentos dentro e fora do grupo político que apoia o candidato. Mas uma
matéria publicada pelo Território Livre apresenta um elemento que
precisa ser considerado antes de qualquer conclusão: o problema pode não ser
exclusivamente Cadu, mas uma estratégia nacional de distribuição dos recursos
do PT.
Segundo a publicação
A Executiva Nacional do partido
decidiu concentrar parte significativa do dinheiro disponível na campanha
presidencial de Lula e no fortalecimento das candidaturas petistas ao Congresso
Nacional. Com isso, as disputas majoritárias estaduais teriam ficado com uma
parcela menor dos recursos.
E os números ajudam a entender o
cenário.
Nesta etapa, Cadu recebeu R$ 711,5 mil
do PT, o mesmo valor destinado ao governador do Piauí, Rafael Fonteles, que
disputa a reeleição. Na Bahia, Jerônimo Rodrigues recebeu pouco mais de R$ 1,8
milhão, enquanto Elmano de Freitas, no Ceará, ficou com aproximadamente R$ 1,2
milhão.
Portanto
Existe uma justificativa política para
o baixo volume de recursos: o PT estaria priorizando uma estratégia
nacional, e não necessariamente penalizando exclusivamente a candidatura de
Cadu.
Mas há um ponto que não pode ser
ignorado.
No próprio Rio Grande do Norte,
candidatos a deputado federal do PT receberam valores superiores aos destinados
ao candidato do partido ao Governo. Natália Bonavides, Fernando Mineiro e
outras candidaturas proporcionais aparecem com repasses acima dos valores
destinados a Cadu.
É aí que começa a discussão política.
Se a prioridade do PT é ampliar sua
bancada federal e, ao mesmo tempo, fortalecer Lula nacionalmente, a
distribuição dos recursos pode ser compreendida dentro dessa lógica. Mas uma
campanha majoritária precisa de estrutura, presença no interior, mobilização,
comunicação e capacidade de manter uma agenda eleitoral permanente.
E esse talvez seja o ponto mais
delicado para Cadu.
Não basta ter o apoio formal do
presidente Lula, da governadora Fátima Bezerra e de uma parte significativa do
campo político aliado. É preciso transformar esse apoio político em presença
eleitoral nos municípios.
Então, a pergunta que fica não é
simplesmente se o PT está desprestigiando Cadu Xavier.
A pergunta mais adequada talvez seja
outra:
Até que ponto a estratégia nacional de
priorizar Lula e as candidaturas proporcionais pode comprometer a estrutura da
campanha de Cadu no Rio Grande do Norte?
Essa é uma discussão legítima.
E, considerando que ainda estamos na
reta final da campanha, não está descartada a possibilidade de novos repasses.
O próprio cenário apresentado pelo Território Livre indica que a
distribuição de recursos pode ainda sofrer alterações.
.png)
