terça-feira, 18 de agosto de 2026

TJRN determina devolução de valores pagos acima do teto e abre processos individuais

 


O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) determinou a abertura de processos administrativos individuais para cobrar a devolução de verbas indenizatórias consideradas irregulares e de valores pagos acima do teto remuneratório do serviço público — os chamados “penduricalhos”.

A medida segue determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu a devolução imediata dos valores recebidos de forma irregular ou acima dos limites constitucionais. Segundo informações confirmadas pelo próprio TJRN ao jornal Tribuna do Norte, já foram emitidas guias de recolhimento para os pagamentos.

O caso ganhou repercussão diante dos valores considerados exorbitantes pagos a integrantes da magistratura. Um dos exemplos citados na decisão do STF é o de um magistrado aposentado do TJRN que recebeu R$ 554.812,41 em abril e R$ 544.867,19 em maio.

Outro dado chama atenção: 73 magistrados do Rio Grande do Norte receberam mais de R$ 100 mil em abril, segundo as informações analisadas pelo Supremo.

A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes e aprovada no julgamento que contou com os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. A medida foi motivada, entre outros elementos, por reportagens que revelaram pagamentos considerados incompatíveis com os limites remuneratórios.

O episódio levanta uma questão que vai além da discussão jurídica: até onde podem chegar os chamados benefícios indenizatórios quando, na prática, fazem a remuneração ultrapassar — e muito — o teto constitucional?

A Constituição estabelece limites para a remuneração no serviço público. Quando mecanismos chamados de “indenizatórios” passam a produzir pagamentos de centenas de milhares de reais em um único mês, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a envolver transparência, controle dos gastos públicos e respeito ao dinheiro do contribuinte.

Agora, com a determinação do STF, o TJRN terá de individualizar os casos e cobrar os valores considerados indevidos. A pergunta que permanece é: quanto será efetivamente devolvido aos cofres públicos e em quanto tempo?

A sociedade potiguar, que acompanha diariamente as dificuldades financeiras do Estado e dos municípios, tem o direito de conhecer esses números com clareza.