terça-feira, 11 de agosto de 2026

Debate no RN: enquanto os candidatos brigam, o Estado espera respostas

 


Mais uma vez, o eleitor potiguar foi colocado diante de um debate eleitoral em que o confronto entre os candidatos pareceu ocupar mais espaço do que aquilo que realmente deveria estar no centro da discussão: o futuro do Rio Grande do Norte.

Pois bem

Cadu de Lula, Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Robério Paulino tiveram uma oportunidade valiosa de apresentar propostas, confrontar ideias e mostrar ao eleitor quem realmente está preparado para governar um Estado cheio de problemas e, ao mesmo tempo, de enormes oportunidades.

Mas, em boa parte do debate, prevaleceu a velha fórmula da política brasileira: ataque, resposta, acusação e contra-acusação.

E fica a pergunta: é isso que o eleitor potiguar espera?

O eleitor já conhece os grupos políticos, as alianças, os rompimentos e as disputas que acontecem nos bastidores. Também sabe que muitos dos personagens que hoje se apresentam como novidade carregam consigo histórias políticas, alianças antigas e grupos tradicionais.

O que ainda precisa ser explicado é qual será o projeto de Estado que cada candidato pretende colocar em prática.

O RN não pode ser governado pelo retrovisor

É muito fácil apontar o erro do adversário. Difícil é apresentar uma solução.

Mais fácil ainda é transformar o passado em munição eleitoral. O problema é que o cidadão que está na fila de um hospital, procurando emprego ou tentando colocar o filho em uma escola de qualidade não está preocupado apenas com quem errou ontem.

Ele quer saber quem vai resolver amanhãE é justamente aí que os debates precisam avançar.

O Rio Grande do Norte precisa discutir educação com profundidade. Precisa falar sobre aprendizagem, valorização dos profissionais, escolas, ensino técnico e preparação dos jovens para o mercado de trabalho.

Precisa discutir saúde sem maquiagem

Como reduzir filas? Como ampliar cirurgias e exames? Como melhorar a assistência no interior? Como fortalecer os hospitais regionais?

O cidadão não quer apenas ouvir que a saúde está ruim. Ele quer saber qual é o plano para tirá-la do sufoco.

E o emprego?

O RN tem potencial turístico, agrícola, pesqueiro, mineral e energético.

Tem sol, vento, litoral, belezas naturais e uma localização estratégica.

Mas onde está o grande projeto de desenvolvimento capaz de transformar tudo isso em emprego e renda para o potiguar?

É preciso discutir qualificação profissional, industrialização, incentivo às empresas, fortalecimento do empreendedorismo e, principalmente, como fazer o desenvolvimento chegar também aos municípios do interior.

Não podemos continuar aceitando que o jovem potiguar tenha como principal projeto de vida sair do Estado para procurar oportunidade em outro lugar.

Energia verde: uma riqueza que precisa deixar riqueza para o RN

O Rio Grande do Norte se tornou protagonista na produção de energia renovável.

Mas produzir energia é suficiente?

Não. O debate deveria ser muito maior

Precisamos saber como o Estado pretende aproveitar essa condição para gerar empregos qualificados, formação profissional, novas empresas, arrecadação e desenvolvimento tecnológico.

O RN não pode ser apenas o lugar onde se produz energia para outros consumirem.

Precisamos discutir como transformar vento e sol em desenvolvimento econômico para quem mora aqui.

E as contas do Governo?

Outro assunto que não pode ficar escondido atrás das agressões políticas é a situação financeira do Estado.

Quanto o RN arrecada?

Quanto compromete com pessoal?

Quanto deve?

Quanto consegue investir?

Qual será a política fiscal do próximo governo?

Como ampliar investimentos sem comprometer ainda mais as contas públicas?

Essas perguntas são muito mais importantes para o futuro do Estado do que saber quem conseguiu dar a resposta mais agressiva durante um debate.

Ponta Negra está aí

E enquanto os candidatos trocam acusações, um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte continua exigindo respostas.

Ponta Negra precisa ser discutida como política de Estado.

Não apenas como assunto eleitoral.

É preciso discutir turismo, preservação ambiental, urbanização, infraestrutura, recuperação da praia e o futuro econômico de uma das áreas mais importantes para o turismo potiguar.

O eleitor merece mais

Não estou dizendo que os candidatos não devam questionar uns aos outros.

Devem.

Aliás, é fundamental que sejam cobrados. Quem quer governar precisa estar preparado para responder pelas próprias decisões, alianças, promessas e resultados.

Mas existe uma diferença enorme entre questionar o adversário e transformar o debate em uma guerra de acusações.

O eleitor merece mais.

Muito mais.

Merece saber quem tem projeto para a educação.

Quem tem solução para a saúde.

Quem sabe como gerar empregos.

Quem pretende equilibrar as contas públicas.

Quem tem projeto para o turismo.

Quem vai investir no interior.

Quem pretende aproveitar a energia renovável.

Quem vai enfrentar a pobreza e as desigualdades sociais.

Quem tem capacidade para planejar o RN para os próximos 10, 15 ou 20 anos.

Chega de política olhando apenas para trás

O Rio Grande do Norte não pode continuar preso às mesmas disputas políticas, aos mesmos grupos e às mesmas fórmulas eleitorais.

O Estado precisa dar um passo adiante.

O eleitor não deveria sair de um debate perguntando apenas:

“Quem bateu mais em quem?”

Deveria sair perguntando:

“Quem apresentou o melhor caminho para o Rio Grande do Norte?”

Essa é a verdadeira questão.

Porque eleição não pode ser apenas uma disputa pelo poder.

É uma disputa pelo futuro de um Estado inteiro.

E o futuro do RN é importante demais para ser decidido apenas no grito, na acusação e na troca de agressões.

O eleitor quer projeto. Quer resultado. Quer futuro.

E, principalmente, quer saber quem está preparado para governar.