Mais uma vez, o eleitor potiguar foi
colocado diante de um debate eleitoral em que o confronto entre os candidatos
pareceu ocupar mais espaço do que aquilo que realmente deveria estar no centro
da discussão: o futuro do Rio Grande do Norte.
Pois bem
Cadu de Lula, Allyson Bezerra, Álvaro
Dias e Robério Paulino tiveram uma oportunidade valiosa de apresentar
propostas, confrontar ideias e mostrar ao eleitor quem realmente está preparado
para governar um Estado cheio de problemas e, ao mesmo tempo, de enormes
oportunidades.
Mas, em boa parte do debate,
prevaleceu a velha fórmula da política brasileira: ataque, resposta,
acusação e contra-acusação.
E fica a pergunta: é isso que o
eleitor potiguar espera?
O eleitor já conhece os grupos
políticos, as alianças, os rompimentos e as disputas que acontecem nos
bastidores. Também sabe que muitos dos personagens que hoje se apresentam como
novidade carregam consigo histórias políticas, alianças antigas e grupos tradicionais.
O que ainda precisa ser explicado é qual
será o projeto de Estado que cada candidato pretende colocar em prática.
O RN não pode ser governado pelo
retrovisor
É muito fácil apontar o erro do adversário. Difícil é apresentar uma solução.
Mais fácil ainda é transformar o
passado em munição eleitoral. O problema é que o cidadão que está na fila de um
hospital, procurando emprego ou tentando colocar o filho em uma escola de
qualidade não está preocupado apenas com quem errou ontem.
Ele quer saber quem vai resolver amanhã. E é justamente aí que os debates precisam avançar.
O Rio Grande do Norte precisa discutir
educação com profundidade. Precisa falar sobre aprendizagem, valorização dos
profissionais, escolas, ensino técnico e preparação dos jovens para o mercado
de trabalho.
Precisa discutir saúde sem maquiagem
Como reduzir filas? Como ampliar
cirurgias e exames? Como melhorar a assistência no interior? Como fortalecer os
hospitais regionais?
O cidadão não quer apenas ouvir que a
saúde está ruim. Ele quer saber qual é o plano para tirá-la do sufoco.
E o emprego?
O RN tem potencial turístico,
agrícola, pesqueiro, mineral e energético.
Tem sol, vento, litoral, belezas
naturais e uma localização estratégica.
Mas onde está o grande projeto de
desenvolvimento capaz de transformar tudo isso em emprego e renda para o
potiguar?
É preciso discutir qualificação
profissional, industrialização, incentivo às empresas, fortalecimento do
empreendedorismo e, principalmente, como fazer o desenvolvimento chegar também
aos municípios do interior.
Não podemos continuar aceitando que o
jovem potiguar tenha como principal projeto de vida sair do Estado para
procurar oportunidade em outro lugar.
Energia verde: uma riqueza que precisa
deixar riqueza para o RN
O Rio Grande do Norte se tornou
protagonista na produção de energia renovável.
Mas produzir energia é suficiente?
Não. O debate deveria ser muito maior
Precisamos saber como o Estado
pretende aproveitar essa condição para gerar empregos qualificados, formação
profissional, novas empresas, arrecadação e desenvolvimento tecnológico.
O RN não pode ser apenas o lugar onde
se produz energia para outros consumirem.
Precisamos discutir como transformar
vento e sol em desenvolvimento econômico para quem mora aqui.
E as contas do Governo?
Outro assunto que não pode ficar
escondido atrás das agressões políticas é a situação financeira do Estado.
Quanto o RN arrecada?
Quanto compromete com pessoal?
Quanto deve?
Quanto consegue investir?
Qual será a política fiscal do próximo
governo?
Como ampliar investimentos sem
comprometer ainda mais as contas públicas?
Essas perguntas são muito mais
importantes para o futuro do Estado do que saber quem conseguiu dar a resposta
mais agressiva durante um debate.
Ponta Negra está aí
E enquanto os candidatos trocam
acusações, um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte continua
exigindo respostas.
Ponta Negra precisa ser discutida como
política de Estado.
Não apenas como assunto eleitoral.
É preciso discutir turismo,
preservação ambiental, urbanização, infraestrutura, recuperação da praia e o
futuro econômico de uma das áreas mais importantes para o turismo potiguar.
O eleitor merece mais
Não estou dizendo que os candidatos
não devam questionar uns aos outros.
Devem.
Aliás, é fundamental que sejam
cobrados. Quem quer governar precisa estar preparado para responder pelas
próprias decisões, alianças, promessas e resultados.
Mas existe uma diferença enorme entre questionar
o adversário e transformar o debate em uma guerra de acusações.
O eleitor merece mais.
Muito mais.
Merece saber quem tem projeto para a
educação.
Quem tem solução para a saúde.
Quem sabe como gerar empregos.
Quem pretende equilibrar as contas
públicas.
Quem tem projeto para o turismo.
Quem vai investir no interior.
Quem pretende aproveitar a energia
renovável.
Quem vai enfrentar a pobreza e as
desigualdades sociais.
Quem tem capacidade para planejar o RN
para os próximos 10, 15 ou 20 anos.
Chega de política olhando apenas para
trás
O Rio Grande do Norte não pode
continuar preso às mesmas disputas políticas, aos mesmos grupos e às mesmas
fórmulas eleitorais.
O Estado precisa dar um passo
adiante.
O eleitor não deveria sair de um
debate perguntando apenas:
“Quem bateu mais em quem?”
Deveria sair perguntando:
“Quem apresentou o melhor caminho para
o Rio Grande do Norte?”
Essa é a verdadeira questão.
Porque eleição não pode ser apenas uma
disputa pelo poder.
É uma disputa pelo futuro de um Estado
inteiro.
E o futuro do RN é importante demais
para ser decidido apenas no grito, na acusação e na troca de agressões.
O eleitor quer projeto. Quer
resultado. Quer futuro.
E, principalmente, quer saber quem
está preparado para governar.
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