Em tempos em que as críticas por
qualquer motivo — até pelos de menor relevância — tomam conta das redes sociais
de Macau, também é preciso lançar um olhar para aquilo que muitas vezes não
aparece nas discussões do dia a dia: o trabalho silencioso de quem cuida de
pessoas.
É nesse contexto que merece destaque o
trabalho desenvolvido pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS
AD) de Macau, sob a coordenação do pastor Canindé Pereira e de sua equipe
multidisciplinar.
Veja bem.
O CAPS AD Macau tem uma
particularidade importante: é uma porta aberta. O usuário não precisa,
necessariamente, de encaminhamento médico ou de agendamento prévio para buscar
acolhimento.
A unidade oferece escuta
qualificada, realizada por uma equipe multidisciplinar preparada para
ouvir, compreender as necessidades imediatas e, a partir desse primeiro
contato, construir um Projeto Terapêutico Singular (PTS), definindo o
acompanhamento mais adequado para cada situação.
E aqui está um ponto que merece
atenção: estamos
falando de pessoas. Pessoas que chegam ao serviço carregando histórias
diferentes, muitas vezes marcadas por perdas, conflitos, abandono, dificuldades
familiares, dependência, sofrimento e inúmeras tentativas de recomeço.
À frente da unidade, o pastor Canindé
Pereira tem se desdobrado na coordenação do serviço, contando com o compromisso
dos profissionais que atuam diariamente no atendimento aos usuários. O trabalho
não é individual. É coletivo, exige responsabilidade, sensibilidade e,
sobretudo, compreensão de que cada pessoa atendida possui uma história que
precisa ser respeitada.
Uma equipe preparada para cuidar
O CAPS AD Macau conta com
profissionais de diferentes áreas, permitindo um acompanhamento integrado dos
usuários.
A equipe reúne assistente social,
enfermeiro, psicopedagoga, psicólogo, técnico de enfermagem, educador físico e
psiquiatra, além dos profissionais que integram a estrutura de apoio da
unidade.
É essa soma de conhecimentos e olhares
diferentes que possibilita um atendimento mais amplo, porque cuidar não
significa apenas tratar um problema específico. Significa compreender o
indivíduo dentro da sua realidade e oferecer caminhos para que ele possa
reconstruir sua relação consigo mesmo, com a família e com a sociedade.
O olhar da gestão também precisa estar
onde poucos querem olhar
E é justamente nesse ambiente que uma
gestão pública precisa demonstrar sua capacidade de cuidar.
A gestão da prefeita Flávia Veras
tem, nesse setor, um desafio que vai muito além de obras, eventos ou serviços
que ganham visibilidade imediata.
A política pública de saúde mental e
de inclusão social exige presença, investimento, acompanhamento e
sensibilidade. É um trabalho que nem sempre rende fotografia, postagem ou
aplauso, mas que pode mudar a vida de uma pessoa e de toda uma família.
Gerir um espaço como o CAPS AD
significa compreender que, por trás de cada usuário, existe uma história. Há
perdas, lutas, abandono, dificuldades e, muitas vezes, a esperança de encontrar
novamente um caminho.
Enfim, gerir também é cuidar de quem
precisa de uma oportunidade para recomeçar.
O CAPS AD é, basicamente, um ambiente
onde seus usuários chegam em busca de acolhimento, tratamento, orientação e,
acima de tudo, uma possibilidade de reconstrução.
E talvez seja justamente por isso que
esse trabalho mereça ser observado com outro olhar.
Enquanto as redes sociais se
transformam, diariamente, em tribunais para julgar quase tudo, existem
profissionais que seguem fazendo o seu trabalho longe dos holofotes: ouvindo,
acolhendo, orientando e cuidando de vidas.
Porque, no final das contas, uma
gestão pública também se mede pela forma como trata aqueles que mais precisam
dela.
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