segunda-feira, 24 de agosto de 2026

CAPS de Macau: quando cuidar de vidas vai muito além da crítica nas redes sociais

 


Em tempos em que as críticas por qualquer motivo — até pelos de menor relevância — tomam conta das redes sociais de Macau, também é preciso lançar um olhar para aquilo que muitas vezes não aparece nas discussões do dia a dia: o trabalho silencioso de quem cuida de pessoas.

É nesse contexto que merece destaque o trabalho desenvolvido pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) de Macau, sob a coordenação do pastor Canindé Pereira e de sua equipe multidisciplinar.

Veja bem.

O CAPS AD Macau tem uma particularidade importante: é uma porta aberta. O usuário não precisa, necessariamente, de encaminhamento médico ou de agendamento prévio para buscar acolhimento.

A unidade oferece escuta qualificada, realizada por uma equipe multidisciplinar preparada para ouvir, compreender as necessidades imediatas e, a partir desse primeiro contato, construir um Projeto Terapêutico Singular (PTS), definindo o acompanhamento mais adequado para cada situação.

E aqui está um ponto que merece atenção: estamos falando de pessoas. Pessoas que chegam ao serviço carregando histórias diferentes, muitas vezes marcadas por perdas, conflitos, abandono, dificuldades familiares, dependência, sofrimento e inúmeras tentativas de recomeço.

À frente da unidade, o pastor Canindé Pereira tem se desdobrado na coordenação do serviço, contando com o compromisso dos profissionais que atuam diariamente no atendimento aos usuários. O trabalho não é individual. É coletivo, exige responsabilidade, sensibilidade e, sobretudo, compreensão de que cada pessoa atendida possui uma história que precisa ser respeitada.

Uma equipe preparada para cuidar



O CAPS AD Macau conta com profissionais de diferentes áreas, permitindo um acompanhamento integrado dos usuários.

A equipe reúne assistente social, enfermeiro, psicopedagoga, psicólogo, técnico de enfermagem, educador físico e psiquiatra, além dos profissionais que integram a estrutura de apoio da unidade.

É essa soma de conhecimentos e olhares diferentes que possibilita um atendimento mais amplo, porque cuidar não significa apenas tratar um problema específico. Significa compreender o indivíduo dentro da sua realidade e oferecer caminhos para que ele possa reconstruir sua relação consigo mesmo, com a família e com a sociedade.

O olhar da gestão também precisa estar onde poucos querem olhar

E é justamente nesse ambiente que uma gestão pública precisa demonstrar sua capacidade de cuidar.

A gestão da prefeita Flávia Veras tem, nesse setor, um desafio que vai muito além de obras, eventos ou serviços que ganham visibilidade imediata.

A política pública de saúde mental e de inclusão social exige presença, investimento, acompanhamento e sensibilidade. É um trabalho que nem sempre rende fotografia, postagem ou aplauso, mas que pode mudar a vida de uma pessoa e de toda uma família.

Gerir um espaço como o CAPS AD significa compreender que, por trás de cada usuário, existe uma história. Há perdas, lutas, abandono, dificuldades e, muitas vezes, a esperança de encontrar novamente um caminho.

Enfim, gerir também é cuidar de quem precisa de uma oportunidade para recomeçar.

O CAPS AD é, basicamente, um ambiente onde seus usuários chegam em busca de acolhimento, tratamento, orientação e, acima de tudo, uma possibilidade de reconstrução.

E talvez seja justamente por isso que esse trabalho mereça ser observado com outro olhar.

Enquanto as redes sociais se transformam, diariamente, em tribunais para julgar quase tudo, existem profissionais que seguem fazendo o seu trabalho longe dos holofotes: ouvindo, acolhendo, orientando e cuidando de vidas.

Porque, no final das contas, uma gestão pública também se mede pela forma como trata aqueles que mais precisam dela.