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| Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor, afirma que, se a guerra no Oriente Médio continuar, o mundo vai pagá-la - Foto: José Aldenir/Agora RN |
O aumento acelerado no preço dos
combustíveis já começa a impactar diretamente o sistema de transporte no Rio
Grande do Norte. Em meio a um cenário internacional de instabilidade e
valorização do petróleo, empresas do setor enfrentam dificuldades para manter a
operação, enquanto cresce o risco de redução de serviços e até
desabastecimento.
O alerta é do presidente da Federação
das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste, Eudo Laranjeiras, que
aponta uma escalada preocupante nos custos operacionais. Segundo ele, a alta
tem sido rápida e imprevisível. “O preço subiu 25% de uma semana para outra.
Ninguém aguenta”, afirmou.
De acordo com o dirigente, o impacto é
imediato dentro das empresas. Em algumas operações, o aumento geral dos custos
já chega a 10%, pressionando ainda mais um setor que historicamente opera com
margens apertadas.
O problema ganha proporções maiores
quando se observa o contexto global. A alta do barril de petróleo, que já
ultrapassa os US$ 100, eleva o preço dos combustíveis e repercute em toda a
cadeia produtiva. Como o transporte é essencial para a distribuição de bens, o
aumento do diesel acaba sendo repassado, direta ou indiretamente, para o
consumidor final.
No transporte público, a situação é
ainda mais delicada. Diferente de outros setores, as empresas não têm liberdade
para reajustar preços de forma imediata, já que as tarifas são reguladas. Isso
cria um impasse: ou se aumenta o valor das passagens, penalizando a população,
ou se mantém o preço e as empresas acumulam prejuízos.
“A gente fica limitado por uma tarifa
e entende que não deve repassar isso para o usuário”, destacou Laranjeiras,
evidenciando o dilema enfrentado pelo setor.
Diante desse cenário, os riscos já
começam a se desenhar. Entre eles, a redução da frota em circulação, queda na
qualidade dos serviços e dificuldades para manter a regularidade das operações.
Em casos mais extremos, não se descarta a possibilidade de paralisações.
A situação também traz reflexos
diretos para a economia. O aumento do custo do transporte impacta o preço de
produtos e serviços, contribuindo para a inflação e afetando principalmente a
população de menor renda.
Para o setor, a saída passa por uma
atuação mais firme do poder público. Medidas como subsídios, revisão tarifária
e políticas de equilíbrio econômico são apontadas como alternativas para evitar
um colapso no sistema.
Enquanto isso, o que se vê é um
cenário de incerteza, onde o transporte público — peça fundamental para o
funcionamento das cidades — segue pressionado por uma conta que, cada vez mais,
parece difícil de fechar.


