terça-feira, 24 de março de 2026

Alta dos combustíveis pressiona transporte no RN e acende alerta para crise no setor

 

Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor, afirma que, se a guerra no Oriente Médio continuar, o mundo vai pagá-la - Foto: José Aldenir/Agora RN

O aumento acelerado no preço dos combustíveis já começa a impactar diretamente o sistema de transporte no Rio Grande do Norte. Em meio a um cenário internacional de instabilidade e valorização do petróleo, empresas do setor enfrentam dificuldades para manter a operação, enquanto cresce o risco de redução de serviços e até desabastecimento.

O alerta é do presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste, Eudo Laranjeiras, que aponta uma escalada preocupante nos custos operacionais. Segundo ele, a alta tem sido rápida e imprevisível. “O preço subiu 25% de uma semana para outra. Ninguém aguenta”, afirmou.

De acordo com o dirigente, o impacto é imediato dentro das empresas. Em algumas operações, o aumento geral dos custos já chega a 10%, pressionando ainda mais um setor que historicamente opera com margens apertadas.

O problema ganha proporções maiores quando se observa o contexto global. A alta do barril de petróleo, que já ultrapassa os US$ 100, eleva o preço dos combustíveis e repercute em toda a cadeia produtiva. Como o transporte é essencial para a distribuição de bens, o aumento do diesel acaba sendo repassado, direta ou indiretamente, para o consumidor final.

No transporte público, a situação é ainda mais delicada. Diferente de outros setores, as empresas não têm liberdade para reajustar preços de forma imediata, já que as tarifas são reguladas. Isso cria um impasse: ou se aumenta o valor das passagens, penalizando a população, ou se mantém o preço e as empresas acumulam prejuízos.

“A gente fica limitado por uma tarifa e entende que não deve repassar isso para o usuário”, destacou Laranjeiras, evidenciando o dilema enfrentado pelo setor.

Diante desse cenário, os riscos já começam a se desenhar. Entre eles, a redução da frota em circulação, queda na qualidade dos serviços e dificuldades para manter a regularidade das operações. Em casos mais extremos, não se descarta a possibilidade de paralisações.

A situação também traz reflexos diretos para a economia. O aumento do custo do transporte impacta o preço de produtos e serviços, contribuindo para a inflação e afetando principalmente a população de menor renda.

Para o setor, a saída passa por uma atuação mais firme do poder público. Medidas como subsídios, revisão tarifária e políticas de equilíbrio econômico são apontadas como alternativas para evitar um colapso no sistema.

Enquanto isso, o que se vê é um cenário de incerteza, onde o transporte público — peça fundamental para o funcionamento das cidades — segue pressionado por uma conta que, cada vez mais, parece difícil de fechar.