sábado, 16 de maio de 2026

Entre a força da natureza e a politicagem: o sofrimento dos Macauenses não pode virar chacota na busca do like

 

Chuva deixa várias ruas e algumas casas alagadas em Macau

As fortes chuvas que atingem diversos municípios do Rio Grande do Norte têm provocado transtornos em várias regiões do estado. Ruas alagadas, famílias ilhadas, dificuldade de mobilidade e preocupação tomam conta de cidades inteiras. E diferente do que muitos tentam repassar por pura birra política ou insatisfação eleitoral, boa parte desse sofrimento não nasce da ausência de gestão, mas sim da força da natureza que despeja, em poucas horas, um volume de água muito acima do suportável.

Os perrengues acontecem em todos os recantos do RN.

Mas quando o assunto é Macau, na boca de alguns já existe um culpado escolhido antes mesmo da água baixar: a gestão municipal.

O problema é que muitos preferem ignorar a realidade geográfica da cidade apenas para alimentar narrativas políticas. Macau possui altitude média muito baixa, ficando cerca de 3 metros acima do nível do mar. Por ser uma cidade costeira localizada em área de estuário, naturalmente apresenta maior vulnerabilidade a alagamentos, principalmente em períodos de maré cheia associados a fortes chuvas.

E isso não é discurso político. É estudo técnico.

Macau sem chuvas

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Programa de Pós-graduação em Geodinâmica e Geofísica (PPGG/UFRN), já alertava sobre os riscos de inundação por maré em toda a região de influência do Estuário Piranhas-Açu, incluindo Macau. O estudo aponta que áreas tratadas hoje como expansão urbana convivem com alto risco de alagamentos(como você pode ver na imagem acima).

Ou seja, Mesmo sem chuvas extremas, Macau já vive momentos de preocupação devido à sua própria condição geográfica.

Isso significa que o poder público não deve ser cobrado? Claro que não.

Gestão pública existe justamente para minimizar impactos, buscar prevenção e oferecer respostas rápidas à população. Mas querer transformar um fenômeno climático intenso em arma política automática, ignorando fatores históricos, geográficos e ambientais, é desonestidade intelectual.

O mais preocupante nisso tudo talvez nem seja a crítica política, que faz parte da democracia, mas a forma como alguns escolhem agir diante do sofrimento do próximo. Em vez de solidariedade, aparecem vídeos carregados de ironia, deboche e chacota nas redes sociais. Gente transformando o drama de famílias alagadas em oportunidade para “lacrar” contra adversários políticos.

E aí acontece a inversão de valores.

Enquanto moradores tentam salvar móveis, proteger suas casas e enfrentar o medo causado pela água invadindo suas residências, outros preferem rir, provocar e alimentar disputas políticas em cima da dor alheia .

No final das contas

A água não pergunta em quem cada cidadão votou. O transtorno chega para todos.

Macau precisa, neste momento, menos de guerra política virtual e mais de empatia, responsabilidade e união. Porque acima de qualquer disputa eleitoral, existe uma população que sofre e precisa ser respeitada.

 



Imagens: Macau em Fotos**