Para quem insiste em não enxergar o
que está acontecendo em Macau, talvez seja necessário olhar novamente para a
cidade — desta vez, sem as lentes do radicalismo político ou da crítica pela
crítica.
É legítimo questionar uma gestão
pública. Faz parte da democracia. Mas quando até uma ação concreta, necessária
e esperada pela população passa a ser tratada como problema, fica evidente que,
para alguns setores da oposição, reconhecer algo positivo parece ser mais
difícil do que apontar defeitos.
Entenda o novo momento
A partir desta quarta-feira, 12 de
agosto, Macau entra em uma nova etapa na limpeza urbana. A proposta prevê coleta
regular de segunda a sábado, com três caminhões coletores seminovos, novos
equipamentos à disposição do serviço e, sobretudo, a economicidade para os
cofres municipais.
A mudança chega justamente em uma área
que historicamente representa um dos grandes desafios das administrações
salineiras: garantir uma coleta de resíduos eficiente, regular e capaz de
atender todos os bairros e comunidades do município.
O mutirão
A ação realizada nesta segunda-feira
foi um verdadeiro mutirão de limpeza. O objetivo foi retirar o acúmulo
de resíduos domésticos espalhados pela cidade após alguns dias sem a coleta
regular.
O problema teve relação com a falta
dos veículos coletores e com a transição do processo de contratação dentro do
projeto Macau Sustentável.
Agora, com a nova estrutura, a
expectativa é de que a situação seja gradativamente normalizada.
De segunda a sábado
Com exceção do domingo, os caminhões
coletores deverão circular diariamente pelos bairros e comunidades de Macau,
seguindo horários definidos a partir do levantamento realizado pela equipe da
Secretaria Municipal de Serviços Públicos.
A proposta é simples, mas representa
uma mudança importante: regularidade na coleta, planejamento da operação e
presença diária do serviço público nas ruas.
E é justamente aí que está o ponto que
merece ser observado.
Não se trata de dizer que todos os
problemas foram resolvidos. Não foram. Uma mudança de modelo precisa ser
acompanhada, fiscalizada e cobrada pela população.
Mas também é preciso reconhecer quando
existe uma tentativa concreta de enfrentar um problema antigo.
Um estigma que Macau precisa superar
A limpeza urbana sempre foi um
verdadeiro calcanhar de Aquiles das administrações de Macau. O acúmulo
de lixo, a irregularidade da coleta e a falta de estrutura para atender
adequadamente todos os pontos da cidade fazem parte de um problema que
atravessou diferentes gestões.
A atual administração da prefeita Flávia
Veras sinaliza que pretende enfrentar esse histórico de frente.
A nova proposta não pode ser avaliada
apenas pelo discurso. Ela deverá ser medida na prática: pela regularidade
dos caminhões, pela redução do lixo nas ruas, pelo atendimento aos bairros e
pela satisfação da população.
É assim que deve funcionar o
jornalismo e também a cobrança cidadã.
O novo olhar
Macau não precisa de torcida
organizada quando o assunto é serviço público. Precisa de fiscalização,
cobrança e, principalmente, compromisso com a realidade.
Se a coleta melhorar, é obrigação
reconhecer.
Se voltar a apresentar problemas, é
obrigação cobrar.
O que não pode acontecer é o ódio
político cegar a capacidade de enxergar aquilo que é concreto.
A cidade salineira tem problemas
antigos e ninguém pode negar isso. Mas também é preciso reconhecer quando
existem iniciativas para enfrentá-los.
Todos os recantos de Macau merecem
limpeza, organização e dignidade.
O desafio agora é transformar essa
nova proposta em uma rotina eficiente e permanente.
Porque, no final das contas, pouco
importa quem fez a mudança. O que realmente importa é que o lixo seja
recolhido, que as ruas estejam limpas e que o cidadão receba o serviço público
que merece e, sobretudo, que a gestão municipal tenha o interesse real de
resolver, como estamos enxergando isso acontecer de uma maneira clara e
transparente.
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