domingo, 23 de agosto de 2026

Alto do Rodrigues: quando o voto é da prefeita, mas o comando parece ser de outro; esposa de vice-prefeito escancara suas queixas

 

Insatisfaçao na base do governo com muita água pra rolar debaixo dessa ponte

Para quem acompanha a política nos bastidores de Alto do Rodrigues, há uma percepção cada vez mais presente entre aliados: o modelo de gestão da prefeita Dra. Raquel enfrenta um problema que vai muito além das disputas naturais da política. O que estaria incomodando parte da base é a sensação de que a prefeita recebeu das urnas a legitimidade para governar, mas o comando político da administração estaria sendo exercido pelo marido, Alyson Alamis.

E aí está o ponto central da discussão

Alyson Alamis, segundo avaliações de aliados e pessoas que acompanham a política local, ainda não teria experiência suficiente para conduzir uma articulação política de tamanha responsabilidade. O resultado seria um ambiente de desgaste, principalmente na relação com o vice-prefeito, Dr. Richarde Vannute.

E não se trata, aparentemente, de um episódio isolado

A relação política entre o vice-prefeito e o grupo que comanda a gestão já teria produzido outros momentos de desconforto. Agora, a insatisfação ganhou as redes sociais depois que Emanuela Vanucci, esposa de Dr. Richarde, tornou públicas suas críticas e demonstrou não aceitar mais o que considera uma postura de desrespeito político ao marido.

É preciso lembrar que Dr. Richarde Vannute não chegou à condição de vice-prefeito por acaso. Foi uma peça importante na construção do projeto político que levou Dra. Raquel à Prefeitura. Portanto, tratar o vice como um personagem secundário depois da eleição significa, politicamente, esquecer quem ajudou a construir a vitória.

O mais curioso é que, nos bastidores, segundo relatos que circulam entre aliados, existe insatisfação com a forma como a política estaria sendo conduzida. Entretanto, muitos preferem o silêncio para não perder espaço, cargos, influência ou os benefícios naturais de estar próximo do poder.

E quando não se pode ou não se quer enfrentar o verdadeiro problema, cria-se um culpado conveniente.

Nesse caso

A narrativa de que o problema estaria no vice-prefeito e em sua esposa parece muito mais confortável para determinados setores da base do que admitir que existe uma crise de condução política dentro do próprio grupo.

Dr. Richarde, por sua vez, continua fazendo política, conversando, construindo pontes e mantendo relações que ultrapassam os limites do atual governo. E talvez seja justamente aí que esteja a diferença: política se faz com diálogo, respeito, habilidade e capacidade de construir convergências — não apenas com o poder que ocupa uma sala dentro da prefeitura.

A moral da história é simples: prefeita eleita é quem recebeu o voto. Governo precisa ter comando político, mas comando não pode ser confundido com tutela.

Alto do Rodrigues não precisa voltar aos velhos modelos de política em que o eleitor escolhe um nome na urna e, depois da eleição, descobre que outro personagem passou a dar as cartas.

A cidade precisa de uma gestão com autoridade legítima, diálogo institucional, respeito aos aliados e, sobretudo, maturidade política.

Porque vice-prefeito não é enfeite de chapa. Aliado não é funcionário particular. E o voto popular não é uma procuração em branco para que terceiros assumam o protagonismo de quem foi escolhido pelas urnas.

No fim das contas, a política cobra a conta.

E quando o grupo que chegou ao poder começa a transformar aliados em adversários, pontes em muros e diálogo em humilhação, talvez o problema não esteja em quem reclama.

Talvez esteja em quem não sabe ouvir.