quarta-feira, 15 de julho de 2026

PF conclui investigação da Operação Sem Desconto e indicia 48 por suposta fraude bilionária no INSS

 


A Polícia Federal (PF) concluiu a primeira fase da investigação da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O relatório final, com 265 páginas, foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso. A próxima etapa será o envio das conclusões à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir se apresenta denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou pede o arquivamento da investigação.

Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas.

Entre os principais investigados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do instituto, Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca". Todos permanecem presos preventivamente desde o ano passado.

Também foi indiciado o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, que, segundo a Polícia Federal, está foragido.

A PF esclareceu que este relatório não inclui a investigação envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele passou a ser investigado em um procedimento separado após suspeitas de ligação com o lobista conhecido como Careca. Os sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha foram quebrados, e o material ainda está em análise pelos investigadores.

Crimes apontados pela Polícia Federal

De acordo com a investigação:

  • Alessandro Stefanutto, Virgílio de Oliveira Filho e André Fidelis foram indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva;
  • Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca) responderá por lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva;
  • Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.

As defesas de Alessandro Stefanutto e de Antônio Carlos Camilo Antunes informaram que ainda não irão se manifestar, alegando que não tiveram acesso ao conteúdo integral da investigação. A Conafer também foi procurada, mas não apresentou posicionamento até a publicação do relatório.

Importante: O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não significa condenação. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República decidir se oferece denúncia ao STF para o prosseguimento da ação penal.