segunda-feira, 8 de junho de 2026

Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência — o outro lado da transformação; Documentário da UFRN com apoio do MPF discute impactos da engorda de Ponta Negra





A estreia do documentário Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência surge em um momento oportuno para Natal. Em meio aos debates sobre os benefícios e consequências da obra de engorda da Praia de Ponta Negra, a produção da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) propõe algo cada vez mais raro: ouvir quem vive o território.

Mais do que uma intervenção de engenharia para conter o avanço do mar e ampliar a faixa de areia da principal praia urbana da capital potiguar, a engorda de Ponta Negra tem provocado mudanças profundas na dinâmica social, econômica e ambiental da região. E são justamente essas transformações que o documentário coloca em evidência.

Ao dar voz a pescadores artesanais, rendeiras, pesquisadores e representantes de órgãos públicos, a obra apresenta um retrato humano de um processo frequentemente tratado apenas sob a ótica do desenvolvimento urbano. O que está em jogo não é apenas a paisagem da praia, mas também a permanência de práticas culturais centenárias, de saberes tradicionais e de formas de subsistência diretamente ligadas ao mar.

A produção convida o público a refletir sobre um desafio contemporâneo: como conciliar obras estruturantes com a preservação da identidade cultural e ambiental dos territórios afetados? Em uma cidade que busca modernizar sua orla e fortalecer o turismo, cresce também a necessidade de discutir os impactos dessas transformações sobre as comunidades que historicamente construíram a relação entre Natal e o mar.

O documentário não pretende oferecer respostas definitivas. Sua principal contribuição é abrir espaço para um debate necessário sobre pertencimento, sustentabilidade e justiça territorial. Em tempos em que o progresso costuma ser medido por números e obras, Maré Cheia lembra que existem histórias, memórias e modos de vida que também precisam ser considerados.

A partir de um olhar crítico e sensível, a obra reforça a importância de valorizar os territórios tradicionais, reconhecendo que o desenvolvimento de uma cidade só pode ser considerado completo quando inclui aqueles que fazem parte de sua história. Entre rendas, redes e resistência, o documentário revela que o futuro de Ponta Negra não se resume à nova faixa de areia, mas à capacidade de preservar sua essência diante das transformações que avançam com a maré.



- Serviço

Instagram: @marecheia.doc

Estreia: Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência

Data: 10 de junho de 2026

Horário: 9h

Local: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN

Endereço: Campus Central da UFRN, BR-101, s/n, Lagoa Nova, CEP 59078-970, Natal

Programação: Exibição do documentário seguida de conversa com convidados e participação do público.