A estreia do documentário Maré
Cheia: entre rendas, redes e resistência surge em um momento oportuno para
Natal. Em meio aos debates sobre os benefícios e consequências da obra de
engorda da Praia de Ponta Negra, a produção da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN) propõe algo cada vez mais raro: ouvir quem vive o
território.
Mais do que uma intervenção de
engenharia para conter o avanço do mar e ampliar a faixa de areia da principal
praia urbana da capital potiguar, a engorda de Ponta Negra tem provocado
mudanças profundas na dinâmica social, econômica e ambiental da região. E são
justamente essas transformações que o documentário coloca em evidência.
Ao dar voz a pescadores artesanais,
rendeiras, pesquisadores e representantes de órgãos públicos, a obra apresenta
um retrato humano de um processo frequentemente tratado apenas sob a ótica do
desenvolvimento urbano. O que está em jogo não é apenas a paisagem da praia,
mas também a permanência de práticas culturais centenárias, de saberes
tradicionais e de formas de subsistência diretamente ligadas ao mar.
A produção convida o público a
refletir sobre um desafio contemporâneo: como conciliar obras estruturantes com
a preservação da identidade cultural e ambiental dos territórios afetados? Em
uma cidade que busca modernizar sua orla e fortalecer o turismo, cresce também
a necessidade de discutir os impactos dessas transformações sobre as
comunidades que historicamente construíram a relação entre Natal e o mar.
O documentário não pretende oferecer
respostas definitivas. Sua principal contribuição é abrir espaço para um debate
necessário sobre pertencimento, sustentabilidade e justiça territorial. Em
tempos em que o progresso costuma ser medido por números e obras, Maré Cheia
lembra que existem histórias, memórias e modos de vida que também precisam ser
considerados.
A partir de um olhar crítico e
sensível, a obra reforça a importância de valorizar os territórios
tradicionais, reconhecendo que o desenvolvimento de uma cidade só pode ser
considerado completo quando inclui aqueles que fazem parte de sua história.
Entre rendas, redes e resistência, o documentário revela que o futuro de Ponta
Negra não se resume à nova faixa de areia, mas à capacidade de preservar sua
essência diante das transformações que avançam com a maré.
- Serviço
Instagram: @marecheia.doc
Estreia: Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência
Data: 10 de junho de 2026
Horário: 9h
Local: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede – UFRN
Endereço: Campus Central da UFRN, BR-101, s/n, Lagoa Nova, CEP 59078-970, Natal
Programação: Exibição do documentário seguida de conversa com convidados e participação do público.

