sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Operação Fechamento: MPRN e Polícia Civil efetuam prisão de líder de esquema de sonegação fiscal
O Ministério Público do Rio Grande do
Norte (MPRN) obteve nesta sexta-feira (23) a prisão preventiva de um homem
denunciado como líder de uma associação criminosa voltada para a prática de
crimes contra a ordem tributária e lavagem de capitais. O detido é uma das oito
pessoas denunciadas como desdobramento da operação Fechamento. A prisão
preventiva foi realizada pela Delegacia Especializada de Investigação de Crimes
Contra a Ordem Tributária (Deicot) e teve como uma das fundamentações um plano
de fuga do empresário.
A operação identificou um esquema
estruturado de sucessão empresarial fraudulenta para a exploração comercial de
calçados e acessórios em Natal e Parnamirim. O crime gerou um prejuízo
histórico superior a R$ 1,5 milhão em ICMS não recolhido ao Estado.
As investigações apontaram que, entre
janeiro de 2008 e maio de 2025, o grupo, liderado pelo homem preso, utilizou
várias pessoas, conhecidas como laranjas, para abrir sucessivos novos CNPJs e
assim blindar o patrimônio dos reais gestores. O objetivo da manobra era
permitir a continuidade das atividades comerciais sem o pagamento de tributos,
abandonando empresas endividadas e transferindo a operação para novas entidades
formalmente limpas.
Prisão Preventiva
No pedido de prisão preventiva, o MPRN
apontou que, após receber a liberdade provisória, o réu teria cometido novos
crimes de estelionato ao oferecer bens já penhorados como garantia judicial
para reabrir suas lojas. Diálogos interceptados revelaram que o homem realizava
parcelamentos de dívidas tributárias milionárias sem qualquer intenção de
quitá-las, admitindo que os acordos serviam apenas para “ganhar tempo”.
Além disso, o MPRN demonstrou o risco
de fuga do detido. A perícia em seu celular encontrou conversas nas quais ele
admite que suas dívidas são “impagáveis” e planeja vender o restante de seu
patrimônio a qualquer preço para financiar sua ida definitiva para a
Europa.
Nas mensagens, o empresário afirma
explicitamente que em Portugal conseguiria “fugir das dívidas” e recomeçar a
vida, longe das cobranças e do risco de prisão no Brasil. A investigação
localizou, no aparelho telefônico do acusado, imagens de documentos portugueses
já emitidos em seu nome, incluindo Bilhete de Identidade e Cartão de Empresário
Individual.
Operação Fechamento
Durante a deflagração da operação em
maio de 2025, a fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda identificou o
uso de máquinas de cartão de crédito não integradas à escrituração fiscal para
omitir receitas. O grupo implementava táticas diárias de desvio de receita
diretamente nos caixas das lojas. As investigações flagraram o uso de máquinas
de cartão (POS) irregulares e chaves PIX registradas em nome de terceiros,
ferramentas usadas para omitir o faturamento real do Fisco.
Além da fraude financeira, a operação
encontrou estoques marginais, sem nota fiscal, avaliados em mais de R$ 146 mil
em um único estabelecimento, confirmando a venda sistemática de mercadorias à
margem da lei
Denúncia
A denúncia detalha que o grupo
criminoso contava com um núcleo de liderança, familiares e funcionários que
atuavam como sócios de fachada, além de um núcleo contábil proativo na
operacionalização das fraudes e na sugestão de estratégias para evitar bloqueios
judiciais.
Os réus foram denunciados pelos crimes
de associação criminosa, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade
ideológica. No âmbito dos crimes tributários, o grupo realizava parcelamentos
fraudulentos, omissão de receitas através de máquinas de cartão não integradas
à escrituração fiscal, desvio de valores via Pix para contas pessoais e
manutenção de estoques de mercadorias sem documentação legal.
Além disso, a peça aponta a prática de
lavagem de dinheiro, pelo uso de empresas ideologicamente falsas para
dissimular a propriedade das lojas e a origem ilícita dos recursos. Por fim, um
dos réus também responde pelo crime de posse de munição de uso restrito,
encontrada durante as buscas realizadas na operação.
Gaesf
A atuação do MPRN é resultado da
articulação conjunta das forças de segurança do RN que integram o Grupo de
Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf). O grupo especializado
trabalha na identificação de fraudes complexas e na recuperação de ativos
desviados por meio de crimes tributários. Através da análise técnica e da
integração com outros órgãos, o Gaesf garante que grandes sonegadores sejam
processados e que os valores devidos ao Estado retornem para o financiamento de
políticas públicas. O MPRN é representado no GAESF pelo GAECO – Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.


