sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
ALERTA: Consumo de peixes no verão acende alerta para intoxicação por ciguatera no RN
Com a chegada do verão e a proximidade
do Carnaval — período em que aumenta o consumo de peixes nas praias do litoral
potiguar — a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu uma nota
técnica alertando sobre o risco de intoxicação por ciguatera e orientando
profissionais de saúde, pescadores, comerciantes e a população em geral sobre
formas de prevenção.
A ciguatera é uma intoxicação
alimentar causada pelo consumo de peixes contaminados por ciguatoxinas,
substâncias produzidas por microalgas presentes em áreas de corais e recifes.
Peixes menores ingerem essas algas e a toxina acaba se acumulando nos peixes
maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome esses pescados, especialmente
de médio e grande porte, pode ocorrer a intoxicação.
A ciguatera é uma intoxicação
alimentar causada pelo consumo de peixes contaminados - Foto: José
Aldenir/Agora RN
Um dos principais riscos é que a
toxina não pode ser identificada pelo cheiro, sabor ou aparência do peixe. As
ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas e não são eliminadas por
cozimento, congelamento, salga ou defumação. Mesmo após o preparo do alimento,
a substância permanece ativa, com maior concentração na cabeça, nas vísceras e
nas ovas dos peixes.
Os sintomas costumam surgir entre 30
minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado. Entre os sinais mais
comuns estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, cãibras,
coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca. Em
alguns casos, os sintomas podem persistir por semanas ou até meses.
Não existe tratamento específico ou
antídoto para a ciguatera. O atendimento médico é baseado no controle dos
sintomas, com hidratação, uso de analgésicos, medicamentos para náuseas e
acompanhamento clínico.
A Sesap orienta que, ao apresentar
sintomas compatíveis, a pessoa procure imediatamente um serviço de saúde e
informe o consumo de pescado nas últimas 48 horas. Sempre que possível, deve-se
identificar a espécie consumida e guardar sobras do peixe, devidamente
acondicionadas e congeladas, para análise da Vigilância Sanitária. A
recomendação também é evitar o consumo de peixes associados a relatos de
intoxicação, especialmente quando a procedência é desconhecida.

