segunda-feira, 6 de julho de 2026

Pressionada pelo TCE, Câmara de Alto do Rodrigues enfim cria cargos efetivos após décadas de omissão

 


A aprovação da criação de cargos efetivos na Câmara Municipal de Alto do Rodrigues representa um avanço necessário, mas também escancara uma realidade que jamais deveria ter existido: em toda a sua história, o Poder Legislativo nunca realizou um concurso público e nunca teve um quadro de servidores efetivos.

Durante décadas, todos os cargos da Casa foram ocupados por nomeações políticas ou contratos temporários, em desacordo com o princípio constitucional do concurso público para funções permanentes da administração pública.

A mudança, no entanto, não surgiu por iniciativa espontânea da Mesa Diretora. A reestruturação administrativa somente ganhou força após o Tribunal de Contas identificar irregularidades e determinar que a Câmara promovesse a criação de cargos efetivos e realizasse concurso público para regularizar sua estrutura funcional.

Na sessão extraordinária desta segunda-feira (06), os vereadores aprovaram o projeto que cria os novos cargos efetivos. O presidente da Câmara, vereador Zé Pedro, afirmou que a medida visa fortalecer o quadro de servidores e melhorar os serviços prestados pelo Legislativo.

Entretanto, chama atenção o fato de 

que o atual presidente já ocupa mais de um mandato à frente da Câmara e, até então, nenhuma iniciativa concreta havia sido adotada para corrigir uma situação que se arrastava há anos. Se não houvesse a intervenção dos órgãos de controle, a dúvida que fica é: a estrutura baseada exclusivamente em cargos comissionados e contratos temporários continuaria sendo mantida?

A expectativa é de que o concurso público seja realizado ainda este ano, com previsão para outubro. O edital e as demais etapas deverão ser divulgados posteriormente pela Câmara.

O episódio reforça a importância da atuação dos órgãos de fiscalização na defesa da legalidade e da moralidade administrativa. Afinal, a Constituição Federal estabelece que o ingresso em cargos públicos permanentes deve ocorrer por meio de concurso público, garantindo igualdade de oportunidades aos cidadãos e reduzindo a influência das indicações políticas na ocupação da máquina pública.