quarta-feira, 8 de julho de 2026

Justiça determina melhorias urgentes em abrigo para adolescentes em Mossoró após ação do MPRN

 


O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) conseguiu uma decisão favorável na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), que obriga o Município de Mossoró a adotar medidas imediatas para regularizar o funcionamento da Unidade de Acolhimento Institucional para Adolescentes (AIA).

A decisão reformou, em parte, o entendimento da primeira instância e determinou que a Prefeitura elimine riscos estruturais existentes no imóvel, assegure o fornecimento regular de alimentos e garanta o acesso dos adolescentes aos serviços essenciais de saúde. Os demais pedidos feitos pelo Ministério Público, relacionados a intervenções permanentes na unidade, ainda serão analisados no julgamento da ação principal.

De acordo com o acórdão, os pedidos de urgência foram fundamentados em relatórios de inspeção e pareceres técnicos do próprio MPRN, que identificaram uma série de problemas na estrutura física e no funcionamento da instituição.

Entre as irregularidades constatadas estão telefones institucionais sem funcionamento, deficiência na ventilação e climatização, problemas nas instalações hidráulicas e elétricas, inclusive com registros de curtos-circuitos e princípios de incêndio, além da falta regular de frutas e verduras na alimentação. Também foram apontadas infiltrações, esquadrias danificadas, mobiliário insuficiente, ausência de equipamentos de combate a incêndio e falhas de acessibilidade.

As inspeções ainda registraram dificuldades de acesso dos adolescentes aos serviços especializados de saúde e educação, comprometendo o atendimento integral previsto na legislação.

Segundo a 12ª Promotoria de Justiça de Mossoró, diversas tentativas de diálogo e reuniões foram realizadas com o Município para solucionar os problemas administrativamente, mas não houve avanço, tornando necessária a atuação judicial.

Opinião do Blog

O cenário revelado pelo Ministério Público é alarmante. Quando adolescentes que já se encontram em situação de vulnerabilidade precisam conviver com riscos de incêndio, problemas estruturais, alimentação inadequada e dificuldades para acessar serviços básicos, fica evidente que o poder público falhou em garantir direitos fundamentais.

Ao mesmo tempo, a situação também reforça a importância de uma fiscalização constante. Não basta que os órgãos de controle atuem apenas quando surgem denúncias ou quando os problemas já atingiram um nível crítico. A proteção de crianças e adolescentes exige acompanhamento permanente, ações preventivas e respostas rápidas por parte de todos os órgãos responsáveis.

A decisão da Justiça representa um passo importante, mas o verdadeiro desafio será transformar a determinação judicial em melhorias concretas para quem mais precisa.