A Câmara dos Deputados aprovou nesta
quarta-feira (1º) o regime de urgência para o Projeto de Lei 896/2023, que
prevê a criminalização da misoginia no Brasil. Com isso, a proposta passa a
tramitar de forma mais rápida e deve ser votada pelo plenário na próxima
terça-feira, 7 de julho. O texto já foi aprovado por unanimidade no Senado e,
se receber o aval dos deputados, seguirá para sanção presidencial.
O projeto é de autoria da senadora Ana
Paula Lobato (PSB-MA) e tem como relatora na Câmara a deputada Tabata Amaral
(PSB-SP). A proposta equipara a misoginia — o ódio, desprezo ou discriminação
contra mulheres — aos crimes de preconceito e discriminação, prevendo pena de
dois a cinco anos de prisão, além de multa. Também endurece as punições para
crimes praticados na internet com objetivo de obter lucro, audiência ou
engajamento.
Para reforçar o apoio à proposta, o
movimento Levante Mulheres Vivas iniciou uma mobilização nacional,
disponibilizando ferramentas para que a população entre em contato diretamente
com deputados federais por e-mail e pelas redes sociais. O objetivo é incentivar
os parlamentares a votarem favoravelmente ao projeto, repetindo o consenso
alcançado no Senado, onde a matéria recebeu 67 votos favoráveis e nenhum
contrário.
Representantes do movimento também
estiveram na Câmara dos Deputados conversando com parlamentares de diferentes
partidos. Segundo as organizadoras, muitos deputados ainda não conheciam a
versão final do projeto construída pelo grupo de trabalho da Câmara. A
expectativa é que o texto seja aprovado sem grandes alterações, priorizando
medidas de combate à violência e à discriminação contra as mulheres.
Criado em dezembro de 2025, o Levante
Mulheres Vivas reúne voluntários de diversas regiões do país e defende
políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Além da criminalização da
misoginia, o movimento propõe ações como ampliação das Delegacias da Mulher 24
horas, fortalecimento das casas-abrigo, maior proteção às vítimas e campanhas
permanentes de enfrentamento à violência de gênero.

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