quarta-feira, 15 de julho de 2026

Aprovada pelo Senado, PEC dos agentes de saúde enfrenta resistência do governo

 


A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias abriu um novo embate entre o Congresso Nacional e o governo federal. Enquanto deputados e senadores defendem que a medida reconhece as condições diferenciadas de trabalho desses profissionais, a equipe econômica alerta para o elevado impacto financeiro que a mudança poderá gerar nas contas públicas.

O Ministério da Fazenda informou que, caso a proposta seja promulgada sem indicar uma fonte de compensação para cobrir os novos gastos, o governo deverá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro Dario Durigan, a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal exigem que benefícios que aumentem despesas previdenciárias sejam acompanhados da indicação de receitas que garantam o equilíbrio fiscal.

De acordo com estimativas do governo, a PEC poderá gerar um impacto atuarial entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões ao longo dos próximos dez anos. O cálculo considera a redução das contribuições previdenciárias e a antecipação das aposentadorias, mas o Ministério da Fazenda ressalta que o custo poderá ser ainda maior caso haja revisão de benefícios já concedidos.

Apesar da posição contrária do governo, o Senado aprovou a proposta em dois turnos, mantendo o mesmo texto aprovado pela Câmara dos Deputados. A PEC estabelece aposentadoria após 25 anos de efetivo exercício e contribuição na função, com idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, além de criar regras de transição e estender o benefício aos agentes indígenas de saúde e de saneamento. Agora, o governo avalia os próximos passos jurídicos para tentar impedir que a medida produza efeitos sem a respectiva compensação financeira.