quarta-feira, 1 de julho de 2026

A conta sempre chega: omissão de uma gestão acaba recaindo sobre a administração seguinte em Macau

 


A ação movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) contra o Município de Macau vai muito além da cobrança pelo cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Ela escancara uma realidade comum na administração pública: quando um gestor deixa de cumprir suas obrigações, quem assume a Prefeitura acaba herdando problemas que poderiam ter sido resolvidos no mandato anterior.

Veja bem

Em 2022, a gestão do então prefeito Zé Antônio firmou um TAC com a 2ª Promotoria de Justiça de Macau comprometendo-se a executar um projeto de recuperação da malha viária da cidade. O plano previa recapeamento, operação tapa-buracos, drenagem e implantação de sinalização horizontal e vertical para melhorar a segurança no trânsito.

O problema.

Segundo o MPRN, o compromisso foi cumprido apenas parcialmente. Passados mais de dois anos do TAC na mesma gestão, diversas vias continuaram deterioradas e sem a sinalização adequada, demonstrando que o acordo firmado não foi integralmente executado.

Agora, a Promotoria decidiu ajuizar uma Ação de Execução de Título Extrajudicial para obrigar o Município a cumprir aquilo que foi pactuado ainda em 2022.

E quem recebe essa cobrança?

A atual administração, que está há cerca de 18 meses no comando da Prefeitura, passa a responder por uma obrigação deixada pela gestão anterior. Entre as determinações, o Município deverá apresentar um cronograma detalhado para execução das obras e iniciar, em até 30 dias, o processo licitatório para contratação da empresa responsável pelos serviços.

É justamente aí que está a reflexão.

A responsabilidade jurídica é do Município, não da pessoa do prefeito. Porém, politicamente e administrativamente, é a nova gestão que precisa mobilizar equipe, recursos financeiros e planejamento para resolver uma pendência que teve origem no governo passado.

Enquanto a administração anterior dispôs de mais de dois anos para cumprir o TAC, a atual precisa reorganizar seu planejamento para atender uma determinação judicial relacionada a um compromisso que não foi honrado no tempo devido.

Enfim

Isso não significa isentar a gestão atual de suas responsabilidades. Significa reconhecer que a descontinuidade administrativa tem consequências práticas e que a falta de compromisso de um governo pode comprometer o início e até mesmo o andamento do governo seguinte.

No fim das contas, a maior prejudicada continua sendo a população de Macau. Afinal, ruas sem manutenção, sinalização precária e problemas de mobilidade urbana afetam diariamente motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

A ação do MPRN deixa uma lição importante para qualquer gestor público: mandato passa, mas as obrigações do Município permanecem. Quem não cumpre seus compromissos pode até deixar o cargo, mas deixa também uma conta que inevitavelmente será cobrada da administração seguinte — e quem paga o preço dessa demora é a própria sociedade e o novo gestor que nada tinha a ver com isso.