segunda-feira, 8 de junho de 2026

São João de Natal: sucesso de público, mas alvo de questionamentos sobre contratações e valorização dos artistas locais

 


O sucesso dos festejos juninos promovidos pela Prefeitura de Natal parece não se resumir apenas ao grande público presente nos eventos. As contradições envolvendo a política de contratação artística da gestão do prefeito Paulinho Freire também têm chamado atenção e gerado questionamentos.

Veja bem

A política de contratações para o São João de Natal entra em rota de colisão com recomendações dos órgãos de controle. Em abril deste ano, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN), em conjunto com o Ministério Público, o Ministério Público de Contas e a Femurn, publicou uma nota técnica sugerindo parâmetros de até R$ 700 mil por contratação artística, levando em consideração a capacidade financeira dos municípios.

O objetivo da recomendação foi evitar gastos excessivos e reforçar os princípios da responsabilidade fiscal e da economicidade na administração pública.

Apesar disso

A Prefeitura de Natal contratou atrações com cachês superiores ao valor de referência indicado pelos órgãos de controle. Entre os casos divulgados no Diário Oficial estão os shows de Natanzinho Lima e da banda Calcinha Preta, ambos com cachês de R$ 850 mil, ultrapassando o limite orientativo sugerido na nota técnica.

O próprio documento recomenda cautela em contratações de alto valor e exige justificativas consistentes para despesas que destoem dos parâmetros de economicidade.

O pior

O contraste se torna ainda mais evidente diante das reclamações de artistas potiguares. Enquanto grandes atrações nacionais recebem valores próximos de R$ 1 milhão por apresentação, profissionais da cultura local relatam cachês entre R$ 1 mil e R$ 2 mil e denunciam atrasos em pagamentos que, segundo manifestações públicas, se arrastam desde 2024.

Quer dizer

Para muitos artistas locais, parece existir um tratamento desigual quando o assunto é investimento cultural. Enquanto recursos elevados são destinados a atrações de alcance nacional, os profissionais que mantêm viva a produção cultural potiguar durante todo o ano afirmam enfrentar dificuldades para obter reconhecimento financeiro e regularidade nos pagamentos.

O cenário levanta questionamentos sobre as prioridades da política cultural do município e sobre o equilíbrio entre a contratação de grandes nomes do mercado artístico e a valorização dos artistas da terra, que também desempenham papel fundamental na preservação da identidade cultural do Rio Grande do Norte.

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