sexta-feira, 19 de junho de 2026

Álvaro Dias e a normalização das obras inacabadas ou "Inaugurar sem funcionar"

 

O que esperar de um gestor que considera "normal" e "natural" deixar obras inacabadas?


O que deveria ser motivo de preocupação para qualquer administrador público parece ser tratado com naturalidade pelo ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias. Ao comentar as críticas sobre obras inauguradas sem estarem plenamente concluídas, o pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte afirmou que é "normal" e "natural" que uma gestão inicie obras e outra as conclua.

A declaração teve como principal exemplo o Hospital Municipal de Natal. Inaugurado no final de 2024, durante sua gestão, o equipamento foi apresentado à população como uma grande conquista. No entanto, passados meses da solenidade de inauguração, a unidade ainda não recebeu pacientes e continua sem funcionar plenamente.

É verdade que obras públicas podem atravessar diferentes administrações. O que não pode ser tratado como normal é inaugurar equipamentos sem condições reais de atender à população apenas para cumprir calendário político ou produzir dividendos eleitorais.

As críticas não partem apenas de adversários políticos. Aliados do próprio grupo também questionam a forma como algumas obras foram entregues à população, como a vereadora Nina Souza, esposa do atual prefeito de Natal. Afinal, uma obra pública só cumpre sua finalidade quando está efetivamente funcionando e prestando serviço à sociedade.

Se Álvaro Dias entende como algo natural entregar obras sem conclusão e deixar para outros gestores a responsabilidade de colocá-las em funcionamento, o eleitor potiguar tem o direito de perguntar: caso seja eleito governador, também será normal deixar pendências e problemas para os sucessores resolverem?

A população não espera inaugurações simbólicas. Espera resultados concretos.