Com a movimentação que teve o
propósito de reunir a maior bancada de apoio dentro da Câmara Municipal da
capital potiguar, para anunciar apoio à pré-candidatura do ex-prefeito de Natal
Álvaro Dias (PL) ao Governo do Rio Grande do Norte, numa articulação conduzida
pelo prefeito Paulinho Freire (União Brasil). No café da manha, realizado no dia de ontem(08) compareceram 17 vereadores da cidade e
cerca de 30 suplentes, todos com o objetivo de declarar apoio ao projeto estadual liderado por Álvaro e
pelo pré-candidato a vice, Babá Pereira, como de fato aconteceu.
Até aí, tudo bem.
O problema começa quando o discurso
político tenta vender liderança, competência administrativa e capacidade de
gestão, enquanto a realidade da engorda da Praia de Ponta Negra segue
produzindo questionamentos técnicos, desgaste público e uma ação civil pública
movida pelo Ministério Público Federal.
E aí surge a pergunta inevitável: que
credencial administrativa Álvaro Dias apresenta para disputar o Governo do
Estado diante de uma obra de quase R$ 100 milhões que, antes mesmo de
consolidar seus resultados, já virou alvo de denúncias, relatórios preocupantes
e contestação do próprio MPF?
O detalhe
Enquanto a Prefeitura tentou sustentar
a narrativa de que os alagamentos seriam apenas “espelhos d’água” previstos no
projeto, os laudos técnicos anexados à ação mostram um cenário completamente
diferente: dissipadores sem funcionamento adequado, estruturas
subdimensionadas, falhas hidráulicas, água acumulada com odor de esgoto e risco
real de comprometimento da própria engorda.
Ou seja: aquilo que deveria simbolizar
modernização e solução urbana passou a representar improviso, falha de
planejamento e uma evidente tentativa de minimizar um problema grave perante a
opinião pública.
Mais grave ainda é perceber que os
relatórios da FUNPEC/UFRN, utilizados pelo próprio MPF, afirmam claramente que
“as metas de mitigação de inundações estão distantes de serem atingidas” e que
os dispositivos implantados “não estão funcionando conforme o esperado”.
Diante disso, o silêncio político
chama atenção, então pergunto:
- Onde estão os 17 vereadores que agora aparecem sorridentes em fotos de apoio político?
- Onde está o prefeito Paulinho
Freire para cobrar explicações daquele que governou Natal até poucos meses
atrás?
Porque apoiar Álvaro Dias para o cargo
máximo do Estado sem sequer cobrar esclarecimentos sobre a obra mais cara e
mais polêmica da reta final de sua gestão soa muito mais como conveniência
política do que compromisso verdadeiro com Natal e sua população.
No fim das contas, a sensação que fica
é simples:
A pressa em construir um palanque
político parece muito maior do que a preocupação em explicar aos natalenses por
que uma obra milionária, vendida como solução histórica para Ponta Negra, hoje
é sinônimo de questionamentos técnicos, desgaste institucional e desconfiança
pública.


