quarta-feira, 6 de maio de 2026

STF retoma julgamento dos royalties do petróleo e pode destravar bilhões para estados como o RN

 


O Supremo Tribunal Federal retoma nesta quarta-feira (6) um julgamento travado há 13 anos que pode mudar a divisão dos royalties do petróleo no país. Está em análise a constitucionalidade da Lei 12.734/2012, aprovada no governo Dilma Rousseff e suspensa desde 2013 por decisão da ministra Cármen Lúcia.

O ponto central

A lei amplia a fatia de estados e municípios não produtores de 7,5% para 49% dos royalties, usando critérios dos fundos de participação. Na prática, tira concentração dos grandes produtores e redistribui para o restante do país.

Impacto direto no RN

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o RN recebeu cerca de R$ 621 milhões em 2025 (estado + municípios).
Mas o dado mais relevante é o “custo” da suspensão:

  • Estimativa de perda potencial: R$ 8,3 bilhões
  • Perdas já acumuladas (2013–2024): R$ 762 milhões em 144 municípios

Ou seja, para um estado com baixa arrecadação própria, a trava judicial virou impacto fiscal concreto.

Quem ganha e quem perde

  • Favorecidos pela redistribuição: RN e outros estados não produtores, além da Confederação Nacional dos Municípios
  • Contrários: Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, que concentram mais de 90% dos royalties

Leitura crítica sobre o tema

O julgamento expõe um conflito clássico: concentração de riqueza versus redistribuição federativa.

  • De um lado, estados produtores alegam perda bilionária e quebra de regras consolidadas.
  • Do outro, estados como o RN sustentam que a regra atual perpetua desigualdades e limita a capacidade de investimento local.

O que está em jogo

Não é só divisão de royalties — é o modelo de pacto federativo. A decisão do STF pode redefinir quem financia o desenvolvimento regional no Brasil e quem continua concentrando receitas estratégicas.