segunda-feira, 16 de março de 2026

Autofagia política: reorganização do Republicanos apresenta nova estrutura de poder no RN

 

Os 4 pilares da reorganizaçao do Republicanos

A política partidária do Rio Grande do Norte nunca foi terreno de tranquilidade, mas os últimos movimentos nos bastidores mostram que o jogo segue pesado — e cada vez mais imprevisível. Quando muitos acreditavam que as principais lideranças potiguares já estavam acomodadas em seus partidos, preparando apenas o terreno para as próximas eleições, surge um novo rearranjo político que chama atenção pelo seu formato: um processo que pode ser interpretado como autofagia política.

O caso mais recente envolve o Republicanos no Rio Grande do Norte. Publicamente, a legenda ainda carrega a imagem do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, que segue como rosto conhecido do partido no Horário Eleitoral Gratuito. Porém, nos bastidores, o comando político da sigla já começa a tomar outro rumo.

Na prática

Uma nova estrutura de poder vem sendo organizada dentro da legenda, formada por quatro pilares políticos que passaram o fim de semana fazendo contas eleitorais, costurando alianças e convidando nomes para compor a futura nominata estadual e federal, veja;

- O primeiro pilar desse movimento é o presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira de Souza. Atualmente no Partido da Social Democracia Brasileira, Ezequiel deve deixar o PSDB para assumir um papel central na condução estratégica do Republicanos no estado.

- O segundo nome é o prefeito de Natal, Paulinho Freire, que também deve mudar de legenda, saindo do União Brasil para integrar o novo projeto político dentro do Republicanos.

- O terceiro pilar envolve o presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome. Sua aproximação com o grupo ocorre mesmo sem a anuência formal do Progressistas (PP), partido ao qual ainda está vinculado.

-Completando o grupo aparece o ex-vice-governador do estado, Fábio Dantas, responsável por articular a nominata e ajudar a montar a chapa que deverá reunir cerca de 25 nomes para disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

A pergunta que fica é: 

Estamos diante de um fortalecimento partidário ou de mais um capítulo da velha política de rearranjos oportunistas?

O conceito de autofagia política ajuda a explicar o fenômeno. 

Trata-se de uma metáfora para o momento em que partidos, lideranças e grupos políticos passam a enfraquecer suas próprias estruturas ao provocar divisões internas, migrações estratégicas e rompimentos com antigos aliados. Em outras palavras, o sistema político passa a “devorar a si mesmo” em busca de sobrevivência eleitoral.

No caso potiguar

Esse processo chama atenção porque envolve figuras de peso que deixam partidos consolidados ou desafiam as direções partidárias para compor um novo arranjo de poder. O resultado imediato é um efeito dominó que pode fragilizar siglas tradicionais e abrir espaço para novas disputas internas.

No fim das contas

A política do RN volta a mostrar um velho traço conhecido do eleitor: alianças são construídas com rapidez, mas podem ser desfeitas com a mesma velocidade quando o cálculo eleitoral muda.

Enquanto isso, nos bastidores, as articulações seguem a todo vapor. E como costuma acontecer na política, o discurso público muitas vezes não revela o verdadeiro tamanho da disputa que acontece longe dos holofotes.