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| Os 4 pilares da reorganizaçao do Republicanos |
A política partidária do Rio Grande do
Norte nunca foi terreno de tranquilidade, mas os últimos movimentos nos
bastidores mostram que o jogo segue pesado — e cada vez mais imprevisível.
Quando muitos acreditavam que as principais lideranças potiguares já estavam
acomodadas em seus partidos, preparando apenas o terreno para as próximas
eleições, surge um novo rearranjo político que chama atenção pelo seu formato:
um processo que pode ser interpretado como autofagia política.
O caso mais recente envolve o Republicanos
no Rio Grande do Norte. Publicamente, a legenda ainda carrega a imagem do
ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, que segue como rosto conhecido do partido no
Horário Eleitoral Gratuito. Porém, nos bastidores, o comando político da sigla
já começa a tomar outro rumo.
Na prática
Uma nova estrutura de
poder vem sendo organizada dentro da legenda, formada por quatro pilares
políticos que passaram o fim de semana fazendo contas eleitorais, costurando
alianças e convidando nomes para compor a futura nominata estadual e federal, veja;
- O primeiro pilar desse movimento é o
presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira de Souza.
Atualmente no Partido da Social Democracia Brasileira, Ezequiel deve deixar o
PSDB para assumir um papel central na condução estratégica do Republicanos no
estado.
- O segundo nome é o prefeito de Natal, Paulinho
Freire, que também deve mudar de legenda, saindo do União Brasil para integrar
o novo projeto político dentro do Republicanos.
- O terceiro pilar envolve o presidente
da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome. Sua aproximação com o grupo ocorre
mesmo sem a anuência formal do Progressistas (PP), partido ao qual ainda está
vinculado.
-Completando o grupo aparece o
ex-vice-governador do estado, Fábio Dantas, responsável por articular a
nominata e ajudar a montar a chapa que deverá reunir cerca de 25 nomes para
disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
A pergunta que fica é:
Estamos diante
de um fortalecimento partidário ou de mais um capítulo da velha política de
rearranjos oportunistas?
O conceito de autofagia política ajuda a explicar o fenômeno.
Trata-se de uma metáfora para o momento em que
partidos, lideranças e grupos políticos passam a enfraquecer suas próprias
estruturas ao provocar divisões internas, migrações estratégicas e rompimentos
com antigos aliados. Em outras palavras, o sistema político passa a “devorar a
si mesmo” em busca de sobrevivência eleitoral.
No caso potiguar
Esse processo chama
atenção porque envolve figuras de peso que deixam partidos consolidados ou
desafiam as direções partidárias para compor um novo arranjo de poder. O
resultado imediato é um efeito dominó que pode fragilizar siglas tradicionais e
abrir espaço para novas disputas internas.
No fim das contas
A política do RN
volta a mostrar um velho traço conhecido do eleitor: alianças são construídas
com rapidez, mas podem ser desfeitas com a mesma velocidade quando o cálculo
eleitoral muda.
Enquanto isso, nos bastidores, as
articulações seguem a todo vapor. E como costuma acontecer na política, o
discurso público muitas vezes não revela o verdadeiro tamanho da disputa que
acontece longe dos holofotes.


