quarta-feira, 25 de março de 2026

Alerta no RN: saúde mental de adolescentes expõe crise silenciosa nas escolas

 


Os números divulgados pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024, acendem um sinal vermelho no Rio Grande do Norte — especialmente quando o assunto é saúde mental entre jovens.

No estado, 15,3% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmaram que sentiram, na maioria das vezes ou sempre, que a vida não vale a pena ser vivida no mês anterior à pesquisa. Em Natal, o índice sobe para 17,5%, superando a média estadual e se aproximando de um cenário ainda mais preocupante.

Quando o recorte é por gênero, o abismo se amplia:

  • Mulheres: 20,5% no RN e 23,8% em Natal
  • Homens: 10,3% no RN e 11,1% em Natal

Ou seja, as meninas estão significativamente mais vulneráveis emocionalmente — um padrão que também se repete em nível nacional.

Tristeza, ansiedade e sofrimento constante

A pesquisa vai além e mostra um quadro consistente de sofrimento psicológico:

  • 25,9% dos estudantes no RN disseram se sentir tristes com frequência
  • Entre meninas, esse número dispara para 37,9%
  • Em Natal, 28,9% relataram tristeza constante

Outro dado que chama atenção: 30,2% dos jovens potiguares afirmaram já ter sentido vontade de se machucar de propósito ao menos uma vez no último ano. Entre as meninas, esse percentual chega a 41,1%.

São números que não podem ser tratados como estatística fria — eles refletem uma realidade vivida diariamente dentro das escolas.

Relação familiar também entra no radar

A pesquisa aponta ainda um fator relevante: a dificuldade de diálogo dentro de casa.

  • 35,9% dos alunos de escolas públicas disseram não se sentir compreendidos pelos pais
  • Entre meninas, esse índice sobe para 38,4%
  • 49% dos estudantes relataram preocupação constante com problemas do dia a dia

Além disso, 33% afirmaram que pais ou responsáveis mexeram em seus pertences sem consentimento, o que pode indicar conflitos de confiança e privacidade dentro do ambiente familiar.

Escola, família e poder público: onde está a resposta?

Os dados deixam claro que o problema não está isolado. Ele envolve:

  • Pressões sociais e escolares
  • Fragilidade nas relações familiares
  • Falta de suporte emocional adequado

E, principalmente, a ausência de políticas públicas mais efetivas voltadas à saúde mental de adolescentes.

Enquanto isso, escolas seguem focadas majoritariamente no desempenho acadêmico, muitas vezes ignorando sinais claros de sofrimento emocional.

Um problema que não pode mais ser ignorado

O levantamento da PeNSE escancara uma realidade que já vinha sendo percebida, mas agora aparece com números concretos: há uma crise silenciosa entre os jovens.

Ignorar esses dados é permitir que o problema cresça dentro das salas de aula, nas casas e nas redes sociais.

A pergunta que fica é direta:
o que está sendo feito, de fato, para cuidar da saúde mental dessa geração?