segunda-feira, 30 de março de 2026

A pergunta é direta para região salineira: até quando vamos abrir mão de ter uma voz própria na Assembleia?

 

Macau e região sempre ficando para trás, Santa Cruz recebe sua unidade d Corpo de Bombeiros

O debate sobre representatividade política na região salineira não é novo — mas nunca foi tão urgente quanto agora, às vésperas de mais um ciclo eleitoral estadual.

Quando se observa ações como a inauguração do novo quartel do Corpo de Bombeiros em Santa Cruz que vai atender demandas para 150 mil pessoas, conduzida pela governadora Fátima Bezerra, fica evidente como regiões que possuem articulação política consolidada conseguem avançar com mais rapidez. Não se trata apenas de gestão, mas de pressão política organizada, de voto direcionado e de liderança com capacidade de cobrança.

A região salineira — que engloba municípios como Macau, Guamaré, Pendências, Alto do Rodrigues, Jandaira, Galinhos, Porto do Mangue,  Pedro Avelino e outros, — possui relevância econômica estratégica para o estado, especialmente na produção de pescado, sal e energia. No entanto, essa importância não se converte, na mesma proporção, em força política efetiva, sobretudo na aquisição de uma unidade do Corpo de Bombeiros, que poderia atender aproximadamente 100 mil pessoas.

O problema central está na fragmentação. 

Diferente de outras regiões do Rio Grande do Norte, onde grupos políticos se organizam em torno de nomes fortes e constroem candidaturas com identidade regional, o eleitorado salineiro ainda se dispersa. Vota em candidatos “de fora”, muitas vezes atraído por apoios pontuais, promessas imediatas ou vínculos circunstanciais — e não por um projeto coletivo de longo prazo.

Esse comportamento tem consequências diretas. 

Sem um deputado estadual legitimamente enraizado na região, falta quem cobre, articule e priorize pautas estruturantes. A ausência de uma unidade do Corpo de Bombeiros própria, por exemplo, não é apenas uma lacuna operacional — é reflexo de uma ausência política. Enquanto outras regiões conquistam equipamentos públicos essenciais, a salineira continua dependendo de estruturas distantes, mesmo atendendo uma população significativa.

Consciência política, nesse contexto, vai além do ato de votar. 

Trata-se de entender o peso estratégico do voto como instrumento de transformação regional. Regiões que avançam politicamente fazem escolhas mais coordenadas, valorizam lideranças locais e constroem atividades com continuidade — não apenas em períodos eleitorais, mas ao longo de todo o ciclo político.

Na prática

Isso exige uma mudança de mentalidade da nossa região: sair do imediatismo e apostar em projetos que fortaleçam a região como bloco político. Sem isso, o cenário tende a se repetir — investimentos chegando primeiro onde há pressão organizada, enquanto a região salineira segue à margem de decisões importantes.

A conta é simples: onde há voto consciente e alinhado, há mais voz. Onde há dispersão, há silêncio. E como se pode ver, estamos em silêncio por decadas.

 

Unidade de Santa Cruz e Região